O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 06/09/2020
No fim do século XIX, na China, a legalização do ópio foi utilizada como uma ferramenta pelos ingleses para garantir domínio sobre o país. Nesse contexto, ao analisar as negativas consequências sociais vivenciadas no território, vê-se que aquela sociedade foi escrava do alucinógeno. Similarmente, no contexto contemporâneo nacional, o uso incessante de álcool também é defendido por elites que se beneficiam de tal situação. Nota-se, então, que o abuso da bebida no Brasil persiste não apenas em virtude da normalização midiática do consumo exacerbado da droga, mas também pela presença de um Estado negligente, que não soluciona o problema de forma eficaz.
Antes de tudo, é importante mencionar que os interesses mercadológicos contribuem para a ingestão excessiva de álcool por parte da sociedade. Acerca dessa premissa, os teóricos da Escola de Frankfurt desenvolveram o conceito de “Indústria Cultural”. De acordo com esses filósofos, no capitalismo, há uma tendência de culturalização de determinados produtos, provocada pelos veículos de comunicação e aproveitada pelas grandes empresas que os reproduzem. Dessa forma, o vício nas bebidas alcoólicas torna-se disseminado na sociedade em razão da imposição de padrões midiáticos. Portanto, observa-se, infelizmente, que parcela da imprensa tornou comum o culto ao álcool por interesses lucrativos e gerou, então, o aumento da formação de pessoas dependentes da droga.
Outrossim, é imperativo salientar a função estatal no que se refere à minimização desse empecilho social. A esse respeito, é válido destacar que a Constituição brasileira de 1988 garante que a proteção à ordem pública é um direito inalienável dos cidadãos. Além disso, dados preocupantes da OMS alertam que o uso excessivo de álcool afeta negativamente a saúde de cinco a oito vezes mais pessoas que consomem. Dessa maneira, torna-se evidente que as implicações do uso excessivo da droga não representam perigo apenas aos usuários. Logo, a postura do Estado nacional perante a solução do impasse representa uma contradição com os princípios colocados na Constituição, haja vista que o abuso alcoólico é de perigo coletivo, pois não afeta apenas a bem-estar do consumidor.
Em suma, o abuso de álcool na sociedade brasileira deve ser combatido pelo Estado brasileiro. Cabem, então, aos estados e municípios, por intermédio da aprovação de projeto de lei, promover a ocorrência anual de palestras nas escolas públicas sobre as implicações do culto às bebidas alcoólicas no país. Tais aulas deverão ser ministradas por psicólogos, enfermeiros e professores e abordar os impactos da “Indústria Cultural” no comportamento das pessoas. Com isso, espera-se garantir que haja uma redução dos acidentes ligados ao álcool no Brasil e, paralelamente, um afastamento da condição sub-humana a qual a China passou durante o Imperialismo inglês.