O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 10/09/2020

Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere ao uso abusivo de álcool na sociedade. Desse modo, em virtude não só da lacuna educacional, mas também da busca incessante por prazeres instantâneos, emerge um problema complexo que precisa ser resolvido.

Em primeira análise, é preciso salientar que a negligência do ambiente escolar atua como perpetuadora da problemática. Consoante Immanuel Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob esse viés, no que tange ao consumo de álcool, verifica-se uma veemente influência dessa causa, uma vez que, muitas vezes, a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, visto que não tem trazido esses conteúdos para a sala de aula, por exemplo, em matérias já criadas como filosofia e sociologia, de modo a fortalecer os debates — que estão silenciados —, sobre tal questão na vida escolar dos alunos, e, portanto, formar pessoas com um maior nível de conhecimento sobre tal mal. Assim, é dever das instituições escolares, peças fundamentais na formação do indivíduo, cumprir com esta tarefa.

Além disso, outra causa para a configuração do problema é a busca, da população, por prazeres instantâneos. De acordo com o Hedonismo, filosofia grega, o prazer é o bem supremo da vida humana. Nessa perspectiva, a busca por tais prazeres é justificada como o sentido da vida moral. No entanto, essa busca caracteriza-se como uma agravadora na questão do abuso de álcool na sociedade hodierna, atuando fortemente em sua base. Logo, a falta de um pensamento racional e menos imediatista impede que tal questão seja resolvida, podendo, inclusive, trazer consequências, já que segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), todos os anos, 3,3 milhões de mortes são registradas em decorrência do uso excessivo de álcool. Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas que ajam sobre tal panorama.

Isso posto, uma intervenção faz-se necessária. Destarte, é essencial que o Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, promova, para professores das redes pública e privada, cursos sobre como abordar o consumo de álcool nas salas de aula. Tais cursos devem ser gratuitos e digitais, ensinando diferentes ferramentas e métodos para que os professores possam discutir questões como da problemática, e consigam, dessa forma, propor diversas soluções em conjunto com os alunos, a fim de alertar e criar um pensamento crítico sobre tal conjuntura na vida desses discentes. Desta maneira, a proposição de Kant será concretizada na realidade brasileira.