O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 14/09/2020
Segundo o filósofo helenista, Epicuro, a felicidade deve ser alcançada pela busca moderada de prazeres. No entanto, de acordo com a OMS, uma média de 15% a 40% da população apresenta uso exacerbado de bebidas alcoólicas, evidenciando a falta de moderação da sociedade. Logo, não só a mentalidade da população, mas também a manipulação midiática agravam essa problemática.
Nessa perspectiva, é importante ressaltar que o comportamento dos indivíduos na conjuntura contemporânea infere diretamente na perpetuação dos excessos. Na obra “Sociedade do Cansaço, o filósofo Byung Chul Han defende que vivemos em um contexto dotado exageradamente de positividade e de frustrações, gerando hábitos e vícios que funcionam como uma válvula de escape da realidade. Dessa forma, a população tem a tendência de visualizar o álcool como uma fuga das mazelas do cotidiano e da vida moderna.
Ademais, as redes de comunicação exercem um papel utópico acerca do consumo dessas drogas lícitas. Devido a mídia ser o principal veículo formador de opinião, as propagandas culminam na normalidade e no desejo de adquirir esses produtos como, por exemplo, os comerciais de cerveja que ilustram um panorama com elementos que remetem a felicidade do telespectador, como sol, amigos, diversão e praia. Dessa maneira, o indivíduo idealiza o produto apresentado como um item necessário para alcançar a vida ilustrada na publicidade. Além disso, a comunidade passa a normalizar o uso dessas substâncias alcoólicas em qualquer ambiente, negligenciando os riscos de dependência.
Torna-se evidente, portanto, a urgência de conscientizar os cidadãos a respeito do abuso de álcool no Brasil. Diante disso, cabe ao Estado, garantidor dos direitos fundamentais, por meio do Ministério da Saúde, órgão responsável por proteger a saúde da população, aplicar políticas informacionais nos meios de comunicação, como TV e redes sociais, dando mais visibilidade os adventos causados por esse consumo imoderado. Assim, os fermentados deixarão de ser vistos como aliados pela população.