O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 20/09/2020
“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento à realidade, o uso excessivo de bebidas alcóolicas funciona como gotas de sujeira poluidoras da sociedade brasileira. Nesse sentido, fatores como a aparência, o preconceito e a falta de incentivo, impedem a limpeza completa do oceano e a confiança na humanidade.
Em primeira instância, é essencial salientar que o modelo de aparência – relações pessoais só funcionam com quem bebe álcool – que o corpo social segue, contribui para o abuso da ingestão de bebidas alcóolicas. Nesse ponto, os jovens, muitas vezes, são influenciados para o ato de ingeri-las, mediado pelo grupo de amigos em que estão presentes, partindo para o uso excessivo, uma vez que vivem, constantemente, em contato com o atrativo prazeroso que o líquido proporciona, pois é liberada a dopamina, hormônio do prazer. Além disso, a consequência gerada para a sociedade é o aumento no número de violências, como brigas em bares e acidentes de trânsito, assim como o índice de mortes anuais que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), somam mais de 3 milhões de casos. Por isso, é necessária uma tomada de medidas que visem a diminuir a utilização de álcool pelos cidadãos.
Ademais, é perceptível que o preconceito com quem não bebe álcool existe desde outras épocas, inclusive pelo reforço do modelo de aparência social. Dessa forma, pode-se perceber que esse ato foi – e ainda o é – transmitido por gerações, o que torna evidente a banalização do uso excessivo de álcool. Assim, a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria “Banalidade do Mal”, argumenta que o comportamento preconceituoso passa a ser feito inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, comparando com a discriminação dos seres que não bebem em festas ou encontro de amigos, por motivos pessoais, comprovando que um incentivo para mudar o pensamento banal das pessoas é a solução para impedir a disseminação de gotas de sujeira poluidoras.
Portanto, medidas devem ser necessárias para melhorar a qualidade de vida da população. Nesse ponto de vista, a escola deve promover palestras nas próprias instituições educacionais pelo país, com o “slogan” “educando a sociedade”, ministradas por psicólogos e pessoas voluntárias que já tiveram problemas de alcoolismo. Nessa lógica, o objetivo será de incentivar a moderação quanto a ingerir bebidas alcóolicas, alcançando tanto os jovens, como os adultos, de modo que sejam explicados os risco do uso excessivo do álcool no organismo humano, por meio de um diálogo entre o público, os profissionais e os convidados, resultando na plantação de sementes de ideias que germinarão em teorias de bem estar social. Dessa forma, não existirá gotas de sujeira poluidoras da sociedade.