O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 13/10/2020

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), droga é qualquer substância não natural capaz de alterar o funcionamento do organismo. Nesse sentido, o álcool etílico, uma droga legalizada, é causa de intervenções político-sociais, onde, o crescimento em seu consumo ressalta a urgência de atitudes e a necessária conscientização. Assim, faz-se importante o debate sobre o abuso de álcool e suas consequências na sociedade brasileira.

Em primeira análise, registros datados de mais de seis mil anos revelam a bebida destilada presente na cultura de diversos povos da Antiguidade, da mesma forma, tentativas de restrição em seu uso não são novidade. No Brasil, as questões que vinculam o alcoolismo à problemas sociais são evidentes. Como exemplo, a Lei nº 11.705, conhecida como Lei Seca, restringiu a tolerância de álcool na corrente sanguínea que, hoje, é menor ainda. Contudo, mesmo a infração desta lei sendo gravíssima, impeça o motorista de dirigir por um ano, e tenha uma multa de quase dois mil reais, estima-se que em 70% de acidentes de trânsito violentos o motorista esteja alcoolizado, o que revela a necessidade de mais medidas na tanto na área penal quando educativa.

Ademais, quanto à dependência e problemas subsequentes, o médico escocês Thomas Trotter é o primeiro a tratá-la como doença em seus estudos, no século XVIII. Porém, foi oficializado como doença apenas 1952, pela Associação Americana de Psicologia e, atualmente, está na Classificação Internacional de Doenças, da OMS. Estima-se, segundo esta mesma organização, que 5% das mortes no mundo estejam relacionadas à ingestão de álcool, seja pelo vício e problemas crônicos desencadeados, ou pelo efeito momentâneo da droga no organismo. Outro fator muito agravante no país é o marketing no consumo de álcool, onde, sua presença é tanto banalizada como romantizada em muitos veículos midiáticos, devido ao investimento dessas empresas no Brasil - de forma semelhante era a imagem do cigarro nas décadas passadas, mas hoje tais propagandas não são permitidas.

Portanto, diante das problemáticas apresentadas sobre o abuso de álcool na sociedade brasileira, faz-se importante, por parte de cada município, através do corpo executivo e legislativo, avaliar a necessidade de medidas restritivas de acordo com a situação local, com o intuito de propor soluções que se adequem à cidade. Também, por parte da mídia, é imprescindível a promoção de campanhas de conscientização sobre os riscos do uso não só do álcool, mas de todas drogas, lícitas ou ilícitas, através do engajamento das escolas e das famílias, e espera-se que, por meio das intervenções apresentadas, seja possível reduzir os índices no Brasil do consumo imoderado de álcool.