O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 04/11/2020

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao consumo exagerado de bebidas alcoólicas. De acordo com Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, o consumo médio de álcool por pessoa no Brasil é 27% maior do que a média mundial. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a lenta mudança na mentalidade social e a falta de conhecimento.

Primeiramente, é preciso salientar que a lenta mudança na mentalidade social é uma causa latente do problema. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do abuso de álcool é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, em determinados grupos, principalmente de jovens, há uma ideia equivocada de que é normal e aceitável beber com frequência e com intensidade. Dessa maneira, nota-se que muitos jovens bebem de forma abusiva, pois, acreditam que este é o comportamento esperado, seguindo uma norma social equivocada e obtendo a sensação de pertencimento ao grupo, o que torna sua resolução ainda mais complexa.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a falta de conhecimento. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante dessa perspectiva, se as pessoas desconhecem os danos provocados pelo álcool a longo prazo, sua visão será limitada. Desse modo, para que o consumo excessivo de álcool seja combatido, é necessário que haja discussão nas escolas sobre as consequências físicas e psicológicas que podem atingir as pessoas alcoólatras. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre os riscos da ingestão descontrolada de álcool, bem como informem que o uso precoce potencializa os prejuízos e as chances de dependência. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área de saúde. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.