O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 02/11/2020
No livro “A Cidade Murada” de Ryan Graudin, é retratada uma história alternativa a cerca dos acontecimentos da antiga cidade de Kowloon-dominada pela violência e prostituição, em Hong Kong na China. Nesse sentido, Mey Yee vai parar nessa cidade após ser vendida pelo próprio pai- um alcoólatra agressivo que para suprir os gastos com a bebida vende a filha mais velha para um grupo de ceifadores. Fora da ficção, a realidade ambientada na obra não se distancia do cenário nefasto que o álcool proporciona a inúmeros lares do Brasil.
Em primeira análise, é fato que o escape social proporcionado pela bebida alcoólica por meio do absinto não é uma ação praticada exclusivamente do período hodierno. Haja vista que, no século dezenove, a poesia e prosa brasileira eram marcadas por conteúdos pessimistas e melancólicos de autores que escreviam sob o efeito de álcool. Dessa forma, algumas pessoas bebem a fim de esquecer o cotidiano em que vivem, assim como é retratado no livro “Quarto de Despejo”, em que dona Carolina bebe com o intuito de fugir por um momento da situação de miserabilidade em que se encontra.
Somado a isso, consoante aos postulados presentes ao contrato social do filósofo Thomas Hobbes, cabe ao Estado garantir a paz e a ordem. No entanto, na medida em que se faz análise de dados da OMS, os quais revelam que cerca de duzentos e trinta e sete milhões de homens e mulheres sofram de problemas relacionados ao consumo de álcool com maior prevalência na UE e Américas-onde se encontra o Brasil, conclui-se a grave transgressão ao contrato social de Hobbes.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Diante disso, cabe ao Congresso Nacional promover mais investimentos nas escolas-mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias- as quais realizarão palestras e debates com os alunos. Ministradas por psicólogos e psiquiatras, com o intuito de difundir e demonstrar que o uso precoce potencializa os prejuízos e as chances de dependência.