O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 05/11/2020

Em 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o Brasil como o quinto país da América Latina que mais consome bebidas alcoólicas. Indubitavelmente, esse dado é apenas mais um dos reflexos originados do abuso de álcool na sociedade brasileira. Além da nocividade que a substância proporciona ao corpo humano, problemas como violência, desestruturação familiar e disfunções emocionais são outras consequências de sua ingestão em excesso. Claramente, as causas desse comportamento são a introdução da bebida alcoólica na juventude e a ingestão do álcool como fuga para problemas ou traumas que as pessoas enfrentam em suas vidas.

Em primeiro plano, é necessário considerar que grande parcela dos dependentes alcoólicos possuiu seu primeiro contato com a substância quando ainda era jovem. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo revelou que 60% dos adolescentes com menos de 18 anos já experimentou álcool. Esse número comprova que o surgimento da dependência alcoólica é muito favorável no período da adolescência, dado que o cérebro do adolescente ainda se encontra em desenvolvimento e, consequentemente, é mais suscetível a vícios. Portanto, torna-se imprescindível uma maior atenção voltada ao público infantojuvenil.

Ademais, são recorrentes os casos onde o álcool é ingerido em demasia, a fim de servir como fuga de problemas sociais, financeiros e até mesmo traumas. Segundo uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, 18% dos entrevistados relataram ter começado a ingerir mais álcool desde o começo da pandemia do novo coronavírus. Esse dado evidencia que crises são um pretexto para um possível aumento na ingestão da substância. Do mesmo modo, essa ideia é corroborada por Sigmund Freud, o pai da psicanálise, quando o mesmo diz: “É impossível enfrentar a realidade o tempo todo sem nenhum mecanismo de fuga.”

Portanto, torna-se urgente uma ação dos órgãos públicos, a fim de auxiliar e conscientizar a população dos malefícios causados pelo abuso do álcool. A fim desse objetivo, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde e profissionais especializados, deve propor hábitos e práticas saudáveis aos estudantes das redes pública e privada, por meio de palestras conscientizadoras, a fim de apresentar fontes de prazer seguras e saudáveis, que não a bebida. Da mesma forma, há de ser divulgado em rede nacional, pelo Ministério da Saúde, o auxílio disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), onde são atendidos, gratuitamente, pacientes que necessitam de atendimento psicológico, a fim de garantir um tratamento àqueles que sofrem de dependência alcoólica e química em geral. Logo, o Estado provê assistência a todos e é construído um país sadio e próspero.