O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 17/11/2020

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao abuso de álcool. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da busca por prazeres instantâneos e insuficiência de leis.

Em primeira análise, a buscar prazeres imediatos mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. De acordo com o Hedonismo, filosofia grega, o prazer é o bem supremo da vida humana. Nessa perspectiva, a busca por prazeres instantâneos é justificada como o sentido da vida moral. No entanto, essa busca caracteriza-se como um agravador na questão do abuso de álcool, atuando fortemente em sua base. Assim, a falta de um planejamento racional e menos imediatista impede que o problema seja resolvido, podendo, inclusive, trazer consequências que agravam a situação. Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário.

Outrossim, a falta de legislação ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Segundo Umberto Eco, “Para ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável”. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna, explicitada pela falta de uma legislação adequada. Assim, sem base legal, ações de remediação são impossibilitadas, o que acaba por agravar ainda mais a questão do abuso de álcool na sociedade. Sendo assim, é indispensável a adoção de ações que ajam sobre o problema.

Portanto, para que o alcoolismo deixe de fazer parte da realidade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Torna-se imperativo, então, que o MEC, em parceria com as escolas, incentivem projetos que desenvolvam o pensamento racional e planejador dos alunos. Para isso, devem promover oficinas com psicólogos e especialistas no assunto, tratando da importância do planejamento na melhoria da qualidade de vida dos indivíduos e na solução de questões como o abuso de álcool. Tais eventos devem ser abertos à comunidade, a fim de que um maior número de pessoas possa ser impactado. Por fim, é importante que o povo brasileiro se encare como responsável pelo problema, pois, de acordo com Platão, o primeiro passo para mover o mundo é mover a si mesmo.