O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 03/12/2020
Na série “Friends”, o personagem “Fun Boby” tem o hábito de beber em todas as ocasiões e refeições do dia, até mesmo no zoológico leva consigo a bebida. Apesar de ser uma história de um programa de TV, no Brasil ela ganha vida, visto que o abuso de álcool está presente entre diversas pessoas (em 2016 a ingestão da bebida alcançou 8,9 litros por brasileiro, segundo a OMS). Isso se deve a um sistema de saúde pública que oferece poucos tratamentos para esse caso e a uma publicidade intensa a favor da bebida alcoólica. Logo, faz-se necessária a tomada de medidas que revertam tal cenário.
Em primeira análise, a falta de tratamentos psicológicos nos hospitais públicos contribui para a persistência do abuso de bebida na sociedade. Isso se deve pois, de acordo com o psiquiatra Frederico Garcia, “o álcool é uma doença do cérebro”, uma vez que o consumo dela libera dopamina (sensação de prazer) e, com isso, a mente começa a interpretar a bebida como sinônimo de felicidade, levando ao abuso dessa. A partir disso, depreende-se que a problemática citada é uma psicopatologia que necessita, portanto, da ajuda de psicólogos/psiquiatras para ser atenuada, sendo fundamental o aumento desses profissionais nos hospitais públicos.
Outrossim, a publicidade em torno das bebidas alcoólicas influencia no abuso delas pelos brasileiros. Isso porque as propagandas que trazem o consumo de álcool como algo benéfico ao usuário são muito mais frequentes que as que abordam seus malefícios. Exemplo disso está nas propagandas de cerveja — mostram que, com a bebida, vêm mulheres, amigos e curtição, e somente no final desse cenário é falado simples e rapidamente “beba com moderação”. Sendo assim, o número exacerbado de propagandas que exaltam o álcool em detrimento das que dizem o contrário corrobora para o problema.
Diante dos aspectos citados, é imprescindível que o Ministério da Saúde, em conjunto ao Governo Federal, aumente o número de psicólogos e psiquiatras nos hospitais públicos e/ou em outros estabelecimentos de saúde (como os privados). Isso, por meio da maior destinação de verbas públicas a tal setor, além de parcerias realizadas com consultórios psiquiátricos particulares para que o tratamento nesses seja financiado pelo Governo e torne-se acessível à população. Ademais, cabe ao mesmo Ministério divulgar propagandas nas redes televisivas que alertem sobre os malefícios do abuso de álcool e da importância de procurar tratamento. Todas essas medidas, a fim de diminuir o número de “Fun Boby’s” na sociedade brasileira.