O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 20/11/2020
Na série “O Gambito da Rainha”, Beth Harmon é uma órfã que se torna um prodígio do xadrez, possuindo uma carreira marcante desde o início. Entretanto, em seu cotidiano, Harmon lida com os desafios do alcoolismo. O abuso de álcool feito pela enxadrista provoca obstáculos capazes de levar sua carreira ao fim. Paralelo à isso, o abuso de álcool é um cenário comum na sociedade brasileira, decorrente da influência midiática contemporânea e da inobservância do Estado quanto ao problema.
Deve-se pontuar, de início, a influência da mídia na sociedade brasileira. É notório, na conjuntura hodierna, comerciais apelativos que trazem bebidas alcóolicas como artigos de luxo e de prazer instantâneo. Nesse sentido, cabe apontar a afirmação do filósofo Adorno, da Escola de Frankfurt, sobre a indústria cultural. Para Adorno, a indústria cultural faz o consumidor acreditar que é soberano, enquanto é, na realidade, o seu objeto. Dessa forma, o consumidor brasileiro é atraído ao consumo abusivo de álcool pelos comerciais de cerveja e outras bebidas, sentindo-se poderoso ao fazer tal consumo que, frequentemente, excede os limites considerados saudáveis pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Outrossim, é possível somar aos aspectos supracitados, a ineficiência do Estado no contexto do problema. É garantido pela Constituição o direito pleno à saúde, contudo, é nítido que tal direito é negligenciado. Segundo a OMS, o consumo de álcool por pessoa no Brasil é de 8,7 litros, número que ultrapassa em quase 30% a média mundial. Portanto, é possível concluir que o Estado brasileiro falha com a sua própria Constituição, logo, falha também com a sua própria sociedade. Citando o filósofo Walter Benjamin, ““Que as coisas continuem como antes, eis a catástrofe!”. No contexto do abuso de álcool na sociedade brasileira, é inadmissível que o governo brasileiro não tenha ações que visem minimizar o problema, permitindo que uma catástrofe se aproxime do país.
Em síntese, o abuso de álcool na sociedade brasileira é uma realidade que deve ser combatida. Destarte, faz-se necessário que o Estado fiscalize, por meio de leis promovidas pelo poder legislativo, composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, os comercias apelativos que tratam o consumo de álcool como uma prática prazerosa e inofensiva. O Estado deve assegurar-se de que esses comerciais sejam imparciais e seguros, com a finalidade de acabar com a prática de apelação utilizada pelas empresas de bebidas. Com as medidas apresentas aplicadas, o abuso de álcool pelos indivíduos brasileiros afasta-se da realidade de Beth Harmon.