O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 16/12/2020
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde(OMS), uma a cada 20 mortes no mundo são decorrentes do consumo abusivo de álcool. Nesse contexto, apesar de representar um grave risco à saúde dos indivíduos e aumentar a demanda dos hospitais públicos, a ingestão de álcool excessiva ainda ocorre na sociedade brasileira em da negligencia governamental e do escapismo.
Convém ressaltar, a princípio, que o governo se mostra negligente e conivente com a situação. Segundo os filósofos da escola de Frankfrurt, a mídia idealiza alguns produtos com um objetivo claro: o lucro. Esse fato se torna um empecilho à medida que, devido à distribuição reiterada desses ideais, o abuso do consumo de álcool passa por uma banalização e glamourização, de forma a ser bem visto pela sociedade. Nesse viés, o problema adquire caráter inconstitucional, tendo em conta que, embora a Constituição Federal de 1988 garanta o direito à saúde, o governo se mostra omisso ao não promover políticas públicas que conscientizem a população acerca dos riscos das bebidas alcoólicas, ratificando, assim, o inverso da norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro.
Ademais, é relevante analisar a irresponsabilidade do corpo social na sociedade pós-moderna. De acordo com o ideário do filósofo Byung-Chul Han, em meio a inúmeras cobranças por um melhor desempenho, os indivíduos tendem a buscar por válvulas de escape. Assim, infere-se que a população encontra no álcool uma forma de esquecer, momentaneamente, os seus problemas, o que contribuí ainda mais para o desenvolvimento de um vício. Por conseguinte, a ingestão excessiva desse produto leva ao desenvolvimento de doenças crônicas como diabetes, hipertensão e cirrose, e até de doenças mentais, o que coloca enorme pressão sobre o sistema de saúde pública do Brasil. Além disso, de acordo com dados do Atlas da Violência, 30% das mortes violentas do país foram causadas por indivíduos alcoolizados.
Portanto, é mister que o Estado tome medidas para atenuar o impasse. Para conscientizar a população a respeito das consequências do uso desenfreado do álcool, urge que o governo, na figura do Ministério da Saúde, promova palestras, por meio da contratação de profissionais da área da saúde, como médicos e psicólogos, que deverão explicitar o que ocorre no organismo humano ao se ingerir bebidas alcoólicas e as doenças ocasionadas por seu abuso. Essas deverão ser realizadas por toda extensão do país, além de serem transmitidas ao vivo nas redes sociais do agente, com o objetivo de aumentar a visibilidade. Além disso, as ONGs ligadas ao assunto devem, em parceria com o Ministério, promover o apoio psicossocial aos indivíduos com histórico de abuso do álcool. Dessa forma, espera-se que as estatísticas abordadas pela OMS passem a decrescer.