O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 17/12/2020
Analisando o livro “A garota no trem” de Paula Hawkins, a protagonista que inicialmente lida com o álcool como um facilitador de relações sociais acaba exacerbando o hábito para lidar melhor com seus problemas pessoais, que por conseguinte, resulta no vício alcoólico e a ação do mesmo em prol de uma fuga da realidade, aspecto esse, que expõe uma tragédia ao leitor no desfecho da história. Fora da ficção, Isso se repete. A romantização do ato e a procura pela aceitação social são dois dos fatores primaciais da construção deste cenário negativo.
Sob esse viés, é importante ressaltar que o álcool não é apenas uma bebida que interfere na consciência. Desde os primórdios da civilização ele tem sido um estímulo considerável para a cultura humana, despertando a difusão da arte, da linguagem e da religião. Esse histórico de normalização afeta os tempos modernos, como é visto atualmente nas propagandas televisivas com pessoas saudáveis e felizes consumindo o produto e incentivando o telespectador. Paralelamente os dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) dizem que no Brasil o consumo de bebida alcoólica chegou a 8,9 litros por pessoa e as mortes totalizam 3.3 milhões mundialmente. Dessa forma fica claro que o Brasil está inserido numa taxa preocupante e crescente que não conhece os danos a curto, médio e longo prazo causados por essa cultura, como: cirrose diabetes, cardiomiopatia, ascendência à violência e a distúrbios mentais
Outrossim, é indispensável pontuar os acidentes de trânsito por conta da embriaguez. A Lei Seca é responsável pela punição aos motoristas ao abuso do álcool e existem intervenções midiáticas relacionadas a esse problema. Porém, mesmo com 12 anos de projeto o alcoolismo continua sendo uma das principais causas de mortes no trânsito.
É necessário, portanto, que o governo aliado com o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, veiculem propagandas assertivas e campanhas por meio das mídias digitais contra a ingestão abusiva do álcool e seus desdobramentos, com o propósito de expor os riscos do produto. Somado a isso, cabe às instituições de ensino abordar o tema do abuso do álcool e instruir palestras educacionais sobre as suas consequências fisiológicas por intermédio de palestrantes que já vivenciaram tais prejuízos a fim de reduzir o consumo precoce sem moderação. Visando os acidentes de trânsito, é imperioso um maior número de fiscalização policial em períodos festivos e uma rigidez nas aplicações penais. Feito isso, o consumo consciente irá se desenvolver e trazer uma perspectiva de resolução para esse costume fatal.