O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 30/12/2020
Na sociedade do cansaço, descrita pelo filósofo Byung-Chul Han, é esperado que os indivíduos atinjam a máxima produtividade nas diversas atividades do seu cotidiano. Por efeito dessa constante cobrança, a população está se tornando cada vez mais exausta e doente, levando à procura por metódos de escape dessa realidade, como exemplo, o uso excessivo de álcool. Muito além do escapismo, o abuso de álcool na sociedade brasileira também está relacionado à banalização e a glamourização dessa situação, que causa prejuízos na saúde fisíca e mental das pessoas e uma consequente sobrecarga sobre os serviços de saúde.
Destarte, devido às sensações de felicidade e relaxamento proporcionadas pelo uso de bebidas álcoolicas, é comum que elas sejam utilizadas como ferramenta de escape para muitos indivíduos. Nesse contexto, o consumo de álcool torna-se frequente e abusivo, transformando-se em um hábito autodestrutivo, que causa dependência química, doenças crônicas e transtornos mentais. Além disso, nota-se que, apesar desses riscos, o álcool ainda é banalizado na sociedade brasileira. Culturalmente, essa substância é utilizada como forma de socialização e, por meio do incentivo coletivo, é introduzida precocemente na vida da maioria dos jovens. Segundo o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, 32% dos estudantes com idades entre 14 e 18 anos relataram o consumo nocivo da bebida, o que confirma a normalização desse hábito tão danoso, em uma faixa etária vulnerável à sequelas.
Dessa maneira, os desdobramentos do consumo desenfreado de álcool abrangem a esfera individual e coletiva. Somado às enfermidades físicas e mentais, esse quadro também propicia situações de violência e acidentes, sobretudo no trânsito. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, uma em cada vinte mortes no mundo são em decorrência do uso imoderado do álcool. Com isso, os danos individuais se espalham para o âmbito coletivo, uma vez que essas ocorrências são direcionadas ao sistema público de saúde, que é congestionado por esses casos de irresponsabilidade e descontrole.
Diante da necessidade de conter o abuso de substâncias álcoolicas no Brasil, é dever do Ministério da Saúde promover campanhas publicitárias, por meio das mídias sociais e televisivas, que informem a população sobre o risco dessa ingestão descontrolada, com ênfase nas idades precoces. Dessa forma, essa questão poderá ser tratada com mais seriedade e consciência. Ademais, esse agente também pode ampliar as estruturas de apoio psicossocial aos indivíduos com histórico de alcoolismo, mediante a disponibilização de profissionais da saúde para o tratamento da dependência, a fim de reduzir a sua demanda aos serviços de saúde. Assim, os impactos da sociedade do cansaço poderão ser minimizados.