O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 23/12/2020
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6°, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa as crescentes taxas de dependência e consumo de bebidas alcóolicas no Brasil, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Nessa perspectiva, é necessário que subterfúgios sejam encontrados a fim de resolver essa inercial problemática.
Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a dependência alcoólica. Dessa maneira, o uso de bebidas alcoólicas pela população mais nova pode causar diversas sequelas neurológicas, como o déficit de memória e o retardo no aprendizado e no desenvolvimento de habilidades, comprometendo, o rendimento escolar. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos universais, como a saúde e o bem-estar da população, o que até então é evidente no país.
Faz-se mister, ainda, salientar o consumismo irresponsável como impulsionador de doenças como cirrose, hipertensão e acidentes de trânsito. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI. Segundo uma pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2006 o consumo per capita anual era de 6,2 litros de álcool puro, em 2016 essa média pulou para 8,9 litros, o consumo nacional está acima da média mundial, de 6,4 litros. Diante de tal contexto, é primordial analisar que, na pós-modernidade, esse fato se deve a grande influência de propagandas na prática sem moderação do álcool. Assim, é essencial que haja uma intervenção para conter esse revés.
Infere-se, portanto, que é fundamental a adoção de medidas capaz de mitigar o abuso de álcool na sociedade brasileira. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, deve ampliar as medidas de prevenção contra o alcoolismo, por meio de campanhas, palestras e debates, realizadas por médicos em espaços públicos e nas redes sociais direcionados a jovens e adultos, com o objetivo de mostrar os efeitos desse uso excessivo para a saúde da população. Nesse sentido, o fito de tal ação é promover a diminuição desse elevado índice do consumo de bebidas alcoólicas no Brasil. Somente assim, torna-se-à possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos na Magna Carta.