O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 25/12/2020

De acordo com o filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau, a natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável. Essa visão é facilmente observada no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, quando analisada a questão do excesso de consumo alcoólico na sociedade. Nesse sentido, convém  analisar a ingestão em excesso dessa substância entre os jovens e as consequências desse uso, as quais incluem análises sobre livre-arbítrio e a vida em sociedade.

Em primeiro plano, é preciso destacar que beber é visto como um comportamento positivo entre os jovens. Sob esse viés, é comum adolescentes beberem para se sentirem aceitos no grupo, como é mostrado em filmes como " American Pie “, no qual os personagens mais populares fazem uso de álcool com frequência e os efeitos da prática são sempre positivos. Dentro dessa conjuntura, o abuso da substância pode ser enquadrado como " banalidade do mal “, termo cunhado pela filósofa Hannah Arendt para caracterizar comportamentos nocivos, mas tão disseminados na sociedade, que passam a ser banais. Logo, é necessária uma intervenção educacional nas escolas capaz de alertar os estudantes e mudar esse quadro.

Outrossim, é imprescindível incluir as terríveis consequências da ingestão exagerada desse tipo de bebida. Sob essa ótica, segundo a Organização Mundial de Saúde, um em cada vinte mortes do mundo decorre do uso inconsequente do álcool, além se ser a maior causa de acidentes fatais no Brasil. Dessa maneira, infere-se que comportamentos como esse extrapolam o livre-arbítrio, visto que colocam em risco a vida do próximo. Com efeito, o filósofo John Stuart Mill apontou, em seu " princípio do dano “, que o ser humano é livre para fazer qualquer coisa, mesmo que lhe prejudique, mas desde que não cause mal ao outro. Consequentemente, abusar do álcool e dirigir não configura uma liberdade individual, dado o risco imposto aos demais.

Em suma, medidas são necessárias para combater a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas. Para tanto, urge ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas e profissionais da saúde, promover, por meio da disciplina de Biologia, debates e palestras para explicar os males que o álcool causa no organismo, a fim de desestimular os jovens a consumi-lo. Além disso, compete ao Governo Federal, investir em campanhas de divulgação com dados de acidentes decorrente de embriaguez, mediante propagandas na TV aberta e mídias sociais como Facebook, Twitter e Instagram, com vistas à mudança de comportamento. Só assim, a visão de Rousseau será contornada e a sociedade será aliada da humanidade na solução de seus problemas.