O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 26/12/2020
A minissérie estadunidense O Gambito da Rainha apresenta a seus expectadores a história de uma jovem orfã que mostra, desde sua infância, ser um prodígio do Xadrez. Todavia, a garota se torna dependente de medicamentos calmantes durante seu período em um orfanato e, quando adotada, herda hábitos alcoólicos de sua nova responsável, que abusa intensamente desse tipo de bebida. Em paralelo a realidade contemporânea, dois aspectos principais da série podem ser observados, o abuso de álcool e medicamentos na infância, e a errônea utilização do álcool como forma de mitigar sintomas depressivos, já que este causa uma falsa sensação temporária de bem estar em seus consumidores.
Primeiramente, é necessário analisar o alto índice de precocidade na ingestão de álcool, pois de acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS, o brasileiro inicia seu consumo alcoólico, em média, aos onze anos de idade. O consumo de substâncias alcoolizadas durante a juventude pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo, emocional e social de crianças e adolescentes que, como a protagonista da trama supracitada, podem desenvolver problemas tanto em sua vida pessoal quanto em sua vida profissional. Ademais, a ingestão prematura de álcool também pode derivar problemas além do etilismo, como o uso de tabaco, drogas ilícitas e abuso de remédios, criando, assim, um indivíduo instável e um adulto potencialmente problemático.
Em segundo lugar, também é necessário analisar o abuso do álcool quando este é relacionado à ingestão de medicamentos antidepressivos, pois a combinação das substâncias pode interferir no sistema nervoso central do sujeito, intensificando ou reduzindo o efeito dos remédios. No caso da mãe adotiva da personagem referenciada, a imoderação da mistura provoca falsos efeitos de satisfação em sua vida que é recheada de problemas financeiros, afora os conflitos em seu casamento e suas frustrações profissionais. A figura ficcional não é distante de exemplos reais, pois conforme afirma a Organização Pan-Americana de Saúde, a OPAS, o alcoolismo está relacionado ao desenvolvimento de doenças físicas e mentais, e seu uso nocivo representa cerca de 5,3% das mortem em nível global.
Dessa forma, é necessário abrandar o problema para o bem da saúde pública no país. Assim, é fundamental a união entre Ministério e Secretarias de Saúde para a criação de um programa que possa acompanhar jovens e adultos os quais tenham problemas com álcool, principalmente de forma psicológica, em Unidades Básicas de Saúde. A criação de campanhas de conscientização sobre os riscos do consumo álcoolico abusivo podem ser disseminadas por agentes de saúde, e estes podem encaminhar aqueles que precisam ser ajudados para as UBS’s onde receberão atendimento e acompanhamento. Assim, o problema pode ser previnido e remediado conjuntamente e de forma eficaz.