O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 29/12/2020

De acordo com os números da Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo nacional de álcool está acima da média mundial. Esse índice revela que o brasileiro tem cada vez mais recorrido à ingestão de bebidas, o que, em grande parte, é reflexo de uma sociedade cansada do estresse cotidiano. Nessa conjuntura, a problemática social ainda é agravada pelo incentivo deliberado ao hábito de beber, naturalizado nos sucessos musicais atuais. Assim, é necessária a atuação governamental assídua no combate ao abuso dessa substância.

Sob esse viés, primeiramente, é relevante destacar o uso do álcool com o intuito de gerar uma sensação de bem-estar e de fugir dos problemas diários intensificados pela sociedade do desempenho. Segundo o filósofo contemporâneo Byung-Chul Han, a sociedade atual caracteriza-se pela autocobrança excessiva por uma produtividade alta, o que desencadeia ansiedade e preocupação constante no trabalhador. Nesse sentido, a ingestão de bebida alcoólica libera substâncias que atuam no sistema nervoso central, permitindo que o indivíduo, ainda que momentaneamente, sinta prazer e relaxamento. Dessa forma, o álcool, por ser uma droga lícita, de fácil acesso e socialmente aceita, é utilizado com frequência preocupante como anestésico na sociedade capitalista brasileira.

Em segundo lugar, a recorrente e irresponsável associação positiva entre bebida alcoólica, diversão sexo e dinheiro contribui para estimular o uso abusivo dessa substância. Nesse contexto, é notório que nas músicas do sertanejo universitário existe um estímulo a chamada “bebedeira”, o que é perigoso, visto que é um gênero musical popular entre os mais jovens. Esse incentivo prematuro ao consumo etílico, romantizado pela cultura do “open bar”, ignora que o alcoolismo é definido como uma doença pela OMS e gera prejuízos individuais e coletivos, a exemplo dos acidentes no trânsito por embriaguez ao volante.

Registra-se, por fim, a urgência com que o abuso do álcool deve ser combatido na sociedade brasileira. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Saúde promover campanhas publicitárias que denunciem os riscos do consumo exagerado dessa substância tóxica, bem como os riscos do uso contínuo para aliviar problemas com a saúde mental. Isso deve ser feito, principalmente, por meio das mídias sociais, a fim de atingir massivamente a população mais jovem e, assim, diminuir a média nacional de ingestão de bebidas. Ademais, os artistas devem evitar, nas letras das canções, a naturalização do uso dessa droga como “válvula de escape” para qualquer situação emocional, com o intuito de mitigar os casos de dependência química. Logo, com a adoção dessas medidas será possível acabar o hábito de beber em excesso no país.