O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 14/01/2021
Na série Euphoria, da produtora HBO, a protagonista Rue enfrenta problemas das mais diferentes naturezas, decorrentes de sua dependência química. Paralelamente, no Brasil, o uso abusivo de álcool, que pode levar a dependência, apresenta-se como uma problemática. Dessa forma, é imprescindível que sejam adotadas estratégias para mudança dessa situação que tem como causas a banalização do mal e o individualismo.
A priori, a banalização do uso excessivo de álcool relaciona-se com o conceito de “banalidade do mal”, descrito pela filósofa alemã Hannah Arendt, que diz que quando uma atitude ruim ocorre constantemente, a sociedade para de vê-la como errônea. Sob essa ótica, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, o consumo de álcool por pessoa no país, em 2016, superou a média internacional em 2,5 litros. Conforme exposto, é inegável que o país venha passando por uma transformação de mentalidade, em que o consumo excessivo de álcool tem sido normalizado.
Em segundo plano, é relevante analisar o agravante individualismo sob a perspectiva de Zyggmunt Bauman. Segundo o autor polonês, na “modernidade líquida” os vínculos humanos tendem a ser mais frágeis, podendo ser rompidos a qualquer momento, fator que enfraquece a solidariedade e estimula a insensibilidade em relação ao sofrimento do outro. Depreende-se assim, que, como não são todos os brasileiros que sofrem com as consequências da dependência alcoólica, a problemática não é uma preocupação comum, e assim, não recebe a devida atenção.
Destarte, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Urge que as mídias, importantes plataformas de influência, atuem na contramão do movimento de banalização, por meio de campanhas de conscientização veículadas em horário nobre televisivo, em que serão mostradas vítimas do vício em álcool falando sobre o problema e suas consequências, a fim de romper com o ciclo de normalização do mal e incentivar a solidariedade, para que o problema venha a ser mais debatido. Posto isso, poderá ser evitado que histórias como a de Rue sejam escritas na vida real.