O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 27/02/2021

O consumo do álcool pelo homem é tão antigo quanto à civilização, pois transcendeu cada período da história e ocupou um papel bastante considerável, por exemplo, no romantismo, escola literária demarcada principalmente pelo etilismo na vida dos autores, os quais se embriagavam a fim de escapar da cruel realidade que viviam. Infelizmente, esse panorama não se altera na sociedade brasileira, visto que, pela grande influência cultural, é incentivada a ingestão desmedida de bebidas alcoólicas, sobretudo no sertanejo universitário que busca “naturalizar” o hábito de beber, além do mais, outro fator envolvente desse ciclo compulsivo é o viés endogrupal, o qual é responsável por aliciar que uma pessoa siga normas para se sentir pertencida a um determinado grupo.

Inegavelmente, o sertanejo universitário é um grande persuasor cultural na questão de “naturalizar” o alcoolismo, pois, inúmeras vezes, é possível constatar a incitação, nas obras musicais, do consumo abusivo dessa substância. Afinal, as letras das músicas desse subgênero busca apontar os benefícios da bebida, quase sempre através de uma premeditável forma de curar os problemas pessoais. Nesse viés, é possível citar um trecho da melodia “Bebida Na Ferida” pertencente à dupla Zé Neto e Cristiano, sobre o qual se diz “sem você, joguei bebida na ferida, que bom que álcool cicatriza”. Sob essa visão, denota o quão é preocupante a persistência dessa ideia de que se “embebedar” pode ser uma maneira válida de se curar de algo. Assim, será necessário intervir através de um “merchandising” social.

Ademais, outro fator decisivo para o vício dessa droga legal é determinado pelo viés endogrupal, área da psicologia social que estuda as relações comportamentais de um indivíduo inserido em um determinado grupo. As divisões desses conglomerados de pessoas, particularmente, são efetuadas a partir do grau de afinidade e similaridade que cada ser humano possui um com o outro. Sob essa perspectiva, para não ser rejeitado e apresentar semelhanças interpessoais, o ser persuadido começa a se embriagar para se sentir integrado junto às demais pessoas que compatilham os mesmos interesses. Afinal, o álcool é um meio pelo qual facilita a sociabilidade do homem em seu meio comunitário.

Portanto. Urge que, para efeitos de confrontar a imprudência da influência cultural do sertanejo, o Ministério da Saúde em parceria com Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), criem “merchandisings” sociais, no intuito de que os profissionais da saúde, através da análise de trechos de obras musicais que incitem à alcoolização, possam elucidar e desmistificar a falsa eficácia da bebida. Por isso, é necessário que essa campanha seja veiculada em anúncios nas redes sociais e canais de TV aberta em horários nobres. Assim, os consumidores poderão ter consciência do que, de fato, a embriaguez pode acarretar, diferentemente do que é afirmado nas canções desse subgênero musical.