O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 13/03/2021

Desde tempos remotos - há mais de cinco mil anos antes de Cristo - os seres humanos fazem o uso do álcool como bebida. Assim, dando-lhe ao longo da história diversos significados - desde religiosos até profanos - tal droga recreativa tornou-se hábito na maioria das culturas e civilizações. Hodiernamente, o consumo naturalizado e por vezes abusivo do entorpecente causa o aumento da violência e mortes relacionadas à causa, além da banalização de um impasse que necessita ser pensado e resolvido.

Por esse viés, é notório os efeitos negativos e prejudiciais que o álcool pode desenvolver e agravar em quem faz seu uso e na sociedade em geral. Segundo o Datasus - sistema de informática do Sistema Único de Sáude (SUS) brasileiro - todos os anos morrem mais de 15 mil pessoas no Brasil vítimas diretas do alcoolismo. Esse número se agrava, sendo exponencialmente maior se considerados acidentes de trânsito, violência doméstica e tantos outros casos que podem ser conectados ao álcool. Dessarte, nota-se o caráter social do problema, uma vez que resulta em um obstáculo para a saúde pública e para a segurança coletiva.

Outrossim, a banalização e a trivialização do exagero e presença cotidiana do ãlcool na sociedade corroboram para o controle da questão. O sociólogo francês Émile Durkheim explicita e discorre sobre os chamados fatos sociais - segundo o autor, tais fatos são normas e valores que moldam o indivíduo e exercem coerção na sociedade generalizada. Desse modo, sendo o consumo da bebida um fato aceitável e propagado culturalmente, os indivíduos tendem a se influenciar e naturalizar o ato, não combatendo como problemática e formando um ciclo contínuo de reprodução da prática que pode resultar, adversamente, na complicação da temática.

As questões que cercam o uso excessivo do álcool devem, portanto, ser analisadas e solucionadas. É mister que o Governo Federal - órgão responsável por gerir a nação - aja em conjunto com o Ministério  da Saúde e o da Educação, fazendo com que especialistas da área da saúde, como médicos e psicólogos, atuem nas escolas desde o ensino fundamental com materiais desenvolvidos com ênfase e abordagem no conhecimento dos malefícios que o uso do álcool como bebida pode causar. Tais materiais - sendo eles aulas e campanhas - vão orientar, desde o princípio da vida educacional do indivíduo, a respeito de uma problemática presente na sociedade, visando trabalhar a questão da comodidade e naturalização intrínseca no país. Logo, com um alto grau de entendimento e menor trivialização do tema, haverá uma orientação que diminuirá os obstáculos causados pelo álcool, como o alto número de mortes notificados.