O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 13/06/2021
A série televisiva exibida pela Netflix “O gambito da rainha” aborda a história de Beth que após o trauma de ser rejeitada pelo pai adotivo na infância, enxerga o álcool como válvula de escape para superar a pertubação do passado. De forma análoga a ficção, tal realidade vai de encontro ao contexto da sociedade brasileira, uma vez que o abuso de álcool faz-se presente. Ao analisar as razões para a ocorrência de tamanha adversidade observa-se influência da cultura do álcool e a negligência estatal. Desse modo, é necessário evidenciar as causas e de propor as soluções adequadas à atual conjuntura.
É imprescindível pontuar inicialmente, a influência da cultura do álcool na contemporaneidade. Sob esse prisma, conforme a teoria da Indústria cultural proposta por Theodor Adorno e Max Horkheimer consiste na tentativa da mídia de manipular o comportamento dos indíviduos. Nesse sentido, é perceptível que tal teoria vai ao encontro da sociedade hodierna, tendo em vista que o consumo abusivo do álcool ocorre em decorrência do predomínio da manipulação da mídia nas propagandas do álcool. No entanto, tal atitude de alienação acarreta inúmeras consequências prejudiciais tanto ao grupo das pessoas que usam o álcool quanto os que não fazem o consumo, pode-se citar, acidentes automobilísticos, problemas de saúde como cirrose hepática, bem como a violência interpessoal. Nesse contexto, tal fato comprova-se com os dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) que mostrou que mais de 50% dos brasileiros que consomem bebidas álcoolicas desenvolvem problemas de saúde. Logo, é mister a tomada de ações quanto a essa patologia social.
Sob um segundo olhar, é importante ressaltar a negligência estatal favorece esse quadro. Sob esse viés, apesar de ter sido implantado no país a Lei 11.705, popularmente conhecida como a Lei Seca e de ter reduzido o número de acidentes automobilísticos por causa do álcool, ainda assim é perceptível a banalização desta problemática no território nacional, uma vez que o número de alcoólatras aumentou significativamente. Sob essa perspectiva, isso pode ser comprovado através do dados da CISA (Centro de informações sobre o Álcool) que apresenta que pelo menos 20% dos que consomem álcool são alcoólatras, o que gera um agravante social. Dessa maneira, medidas são necessárias para tal impasse.
Depreendem-se, portanto, medidas exequíveis para conter o avanço de tal cenário. Para tanto, o Poder Público em parceria com o Ministério da Saúde, devem destinar recursos para os setores de saúde para que façam centros de atendimento que visem a reabilitação e tratamento dos alcoólatras, através de rodas de conversa e discussão com especialistas como psicólogos, objetivando dar suporte e apoio a estes indivíduos. Ademais, a mídia deve durante o momento dos comerciais de bebidas evidenciar as consequências do álcool. Assim, será possível ter uma realidade diferente da personagem Beth.