O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 18/08/2021

Consoante o Artigo 192 da Constituição Federal, a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas públicas que visam à sua promoção, à prevenção e ao acesso universal e igualitário. Todavia, no que tange às ações contra o abuso de álcool, peça fulcral na promoção de uma vida saudável, há uma enorme carência. Tal fato deve-se, principalmente, à extenuante rotina capitalista, que torna o álcool uma válvula de escape, e tem como consequência diversos danos à saúde dos indivíduos.

Mormente, vale ressaltar que, hodiernamente, há uma busca excessiva por ganhos de produtividade e resultados, e essa procura intensa está diretamente relacionada ao uso excessivo de bebidas alcoólicas. Segundo o filósofo sul-coreano Byung Chun-Han, na obra “Sociedade do Cansaço”, na sociedade capitalista, os indivíduos atuam como empresas, em uma eterna busca pelo retorno financeiro e enxergando o próximo como concorrentes. Nesse cenário, a rotina extenuante e, por muitas vezes, solitária faz com que o indivíduo encontre no álcool uma possibilidade de fuga dessa realidade. Desse modo, o abuso de álcool é fruto das pressões sociais sobre os indivíduos.

Ademais, em decorrência do elevado consumo de álcool, o risco dos indivíduos desenvolverem doenças crônicas aumenta consideravelmente. Conforme um estudo publicado, em 2019, no periódico científico “Hepatology”, o consumo exacerbado de álcool aumenta em aproximadamente 70% o risco de desenvolver hepatite crônica e em 30% o risco de desenvolver diabetes. Nessa perspectiva, o que, a priori, possibilitaria uma fuga da realidade, à longo prazo, torna a realidade mais árdua com o desenvolvimento de diversas doenças.

Infere-se, portanto, que há entraves a serem resolvidos. Logo, o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com as Secretarias de Desenvolvimento e empresas privadas, deve promover cursos e palestras para os gestores e funcionários de empresas, a fim de esclarecer os riscos do uso abusivo de álcool, oriundo de uma cultura capitalista extenuante. Dessa maneira, os gestores poderão modular a pressão que exercem sobre os seus funcionários e todos obterão uma melhor qualidade de vida, sem a necessidade de recorrer ao álcool. Se assim feito, o direito constitucional será efetivado.