O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 14/06/2021

O consumo de álcool tem um percurso histórico bastante antigo. Na mitologia grega, por exemplo, o Deus Dionísio criou o vinho e tornou seu consumo popular em celebrações. Entretanto, na contemporaneidade, é preciso ter consciência de que o abuso de álcool pode ter raízes psicológicas profundas, como traumas de infância. Sob essa perspectiva, as consequências dessa problemática são sérias em todos os âmbitos da vida social.

Em primeiro lugar, o vício, muitas vezes, preenche uma necessidade humana que era essencial, mas que não foi satisfeita durante a infância. Nesse sentido, as bebidas alcoólicas liberam dopamina, substância química que promove sensação de prazer. Assim, com o passar do tempo, o cérebro passa a associar os bons momentos com a bebida e o indivíduo entende que só terá prazer consumindo-a. Nesse sentido, observa-se que, quanto mais adversidades na juventude, maior o risco de dependência.

Como consequência disso, o álcool mata, todos os anos, 3,3 milhões de pessoas em todo mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Sob essa lógica, além da dependência emocional em relação à bebida, o abuso da substância pode trazer inúmeros feitos no corpo, como perda de memória, envelhecimento precoce e câncer de boca e garganta. Nesse contexto, para diminuir seu consumo, os Estados Unidos tentou, no ano de 1920, proibir a compra de bebidas alcoólicas, o que não resolveu o problema do alcoolismo, que continuou a acontecer por vias ilícitas. Dessa maneira, percebe-se que, até hoje, proibir não é a solução para reduzir a problemática, o que faz a conscientização e, sobretudo, a educação sobre o uso, os melhores caminhos.

Portanto, cabe ao Governo Federal, em parceria com unidades de saúde de todo o país, conscientizar o público que enfrenta o problema, por meio da oferta de grupos de apoio - como o Alcoólatras Anônimos - e ajuda psicológica gratuita nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), com objetivo de demonstrar apoio e compreensão, tratando a origem do vício. Por fim, cabe também ao Governo promover educação sobre o uso de bebidas alcoólicas, por meio de debates nas escolas com auxílio de programas de promoção da saúde e profissionais da área, com intuito não de impedir o consumo, mas informar sobre as consequências do álcool para o corpo humano e para a sociedade, deixando os indivíduos livres para fazerem suas escolhas.