O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 09/08/2021
A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo sexto, o direito à segurança como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o abuso de álcool na sociedade brasileira, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a publicidade de romantização das bebidas alcoólicas. Nesse sentido, verifica-se que essa estratégia da indústria cultural é um forte agregador da imagem do consumo exacerbado dessas substâncias ao ideal de felicidade e diversão, no entanto a realidade se mostra adversa, pois a ingestão excessiva do composto orgânico presente nesses produtos causa danos a longo prazo no organismo como cirrose, depressão, hepatite e gastrite. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar o escapismo oferecido pelo álcool como impulsionador da violência urbana no Brasil. Segundo o “Brazilian Journey of Psychiatry” durante o período de 2012 à 2019, aproximadamente de 15% a 66% dos homícidios e agressões sérias, o agressor, vítima, ou ambos tinham ingerido bebidas alcoólicas. Diante de tal exposto é nitido a visão do abuso dessa substância como válvula de escape na sociedade, desta forma frases como " Se eu não lembro eu não fiz" se tornaram famosas entre jovens e adultos justificando o aumento exponencial dos problemas que esse comportamento apresenta para o bem-estar social. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado e o Ministério da saúde, por intermédio de campanhas midiáticas, que informem a população sobre os riscos da ingestão descontrolada de álcool e sobre os sinais precoces do alcoolismo, apresentadas tanto na internet quanto nas escolas públicas, a fim de desfazer essa imagem positiva atrelada ao consumo vicioso desse produto e conscientizar a população acerca dos efeitos negativos desse modo de vida. Assim, se consolidará uma sociedade mais pacífica e equilibrada, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.