O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 21/08/2021
Consoante às concepções do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, no cenário de imediatismo atual, o estresse do cotidiano constrói a necessidade de uma válvula de escape, dentre elas, um vício. Nesse prisma, é fulcral ressaltar que o abuso de álcool na sociedade brasileira é um dos vícios imediatos, e tem como agravante questões socioculturais e a má influência midiática.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a letargia social no espectro brasileiro. De certo, mediante a teoria da tábula rasa do filósofo inglês John Locke, o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, as práticas de consumo de álcool adotadas pela sociedade brasileira são fundadas e agravadas no cotidiano de sua família, o que gerou frutos como o abuso dessa substância lícita por grande parte da população. Isso posto, depreende-se a grande importância de bons exemplos de convivência, porquanto, enquanto a família for inerte, haverá o abuso de álcool no país.
Além dessa mácula sociocultural, também são preocupantes, no cerne da contemporaneidade, as consequências da má influência midiática. Nesse viés, em conformidade com o sociólogo prussiano Karl Marx, o sistema capitalista, por meio da mídia, estimulou o consumo através do fetiche sobre a mercadoria, ou seja, construiu-se a ilusão de que a felicidade seria encontrada a partir da compra de um produto. Isso é perceptível, lamentavelmente, pelos comerciais de bebidas alcoólicas em redes televisionadas nacionais, como da Heineken e da Itaipava, que retratam grupos de amigos jovens felizes socializando enquanto bebem. À vista disso, infere-se que a má influencia midiática glamouriza o uso do álcool, o que gera o abuso dessa substância pela sociedade na busca pela felicidade.
Dessarte, fica claro que às questões socioculturais aliadas à má influência midiática são agravantes desse revés. Assim, o Ministério da Cidadania deve fazer campanhas de conscientização sobre a importância de se mudar os maus hábitos, como o abuso de substâncias lícitas no convívio em família, por meio de mídias de ampla abrangência, como telejornais em redes nacionais e blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e do Facebook, a fim de que essa campanha possa atingir desde os jovens até os idosos. Outrossim, o Governo Federal deve proibir comerciais que fetichem o produto em redes televisionadas, desglamourizando, então, a concepção de felicidade através da bebida. Espera-se, com isso, que o abuso de álcool não seja mais uma realidade na sociedade brasileira.