O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 30/08/2021

No filme “Despedida em Las Vegas”, retrata-se a história de um roteirista alcoólatra que, após perder tudo que tinha, decide ir para Las Vegas e beber até morrer. Ao sair do contexto televisionado e adentrar no Brasil dos tempos atuais, percebe-se que, assim como na trama, milhares de brasileiros, por verem essa substância como uma espécie de válvula de escape e a usufruírem de forma descontrolada em busca de uma falsa sensação de bem-estar, degradam-se progressivamente. Nesse prisma, faz-se pertinente analisar a origem do abuso de álcool na sociedade, bem como seu principal impacto.

Com efeito, é fundamental considerar que a causa primordial de seu uso excessivo se dá, sobretudo, pela negligência que a própria comunidade assume ao incitar de forma desproporcional seu consumo por parte dos veículos midiáticos. Isso porque, ao tomar como base as ideias do filósofo Theodor Adorno, para quem, em sua teoria da Indústria cultural, afirmava que a realidade estava moldada por uma cultura massiva que insistia em vincular produtos que promovessem uma satisfação compensatória e efêmera, é notório, a partir dessa mentalidade, a grande influência que essa imagem prototipada teve na divulgação e rápida assimilação do álcool. Dessa forma, a incitação normalizada dessa mercadoria, já em muitas propagandas hedonistas e no aparato musical, e sua legalização na Constituição contribuíram de forma extrema para que esse mal fosse banalizado e inserido na rotina.

Ademais, convém pontuar que o principal entrave advindo desse abuso está ligado aos efeitos que seu consumo desmedido pode proporcionar tanto para a saúde psicológica como física do cidadão. Tal fato pode ser verificado já nos dados disponibilizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a qual, ao divulgar que cerca de 3,3 milhões de pessoas morrem por entraves relacionados ao álcool, ratificou a influência negativa que a ingestão descontrolada dessa substância pode acarretar para o bem-estar e vida do cidadão. Sendo assim, sua aceitação e propagação midiática banal, já em músicas, a exemplo da do cantor Gusttavo Lima, em que deixa claro de que “irá morrer, mas não para de beber”, colaborou para sua rápida absorção e, consequente, possível dependência que tanto pode afetar a mente, irradiando muitos distúrbios depressivos e de personalidade, quanto o corpo do indivíduo.

Portanto, compreende-se que a ingestão excessiva desse líquido é um entrave de grande urgência. Por isso, é essencial que o Ministério da Saúde fomente a educação sobre o uso dessa substância. Tal iniciativa ocorrerá por meio de um Projeto Nacional de Combate ao Abuso de Álcool, o qual irá estimular a conscientização dessa mercadoria, por intermédio de palestras e debates, nas instiuições, e da garantia de consultas gratuitas com médicos e psicólogos, para que todos possam beber essa “droga” balanceadamente sem que ela se transforme em um vício rumo à morte.