O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 25/08/2021
O uso de álcool no Brasil é histórico, desde antes da chegada dos portugueses. Nessa época, os índios produziam o “cauim”, bebida fabricada a partir da fermentação alcoólica de raízes, por meio de um ritual no qual as índias mastigavam essa parte das plantas e depois colocavam em um recipiente e deixavam por algum tempo, até que esse processo biológico e o líquido pronto para o consumo. Desde essa época até os dias atuais, as bebidas alcoólicas são usadas em festividades, como por exemplo no carnaval e natal, sendo extremamente valorizada pela sociedade. Contudo, não se pode esquecer de que apesar de fazer parte da cultura de vários povos, é uma droga lícita que causa diversos danos a população. Outrossim, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de três milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência do uso de álcool. Assim, faz-se necessário entender o que leva os indivíduos a consumir essa substância, e suas consequências.
Em primeira análise, é importante entender que o uso dessa droga lícita já faz parte do “habitus” - termo usado pelo filósofo Pierre Bourdieu para denominar o conjunto de crenças e valores compartilhados na sociedade - brasileiro. Dessa forma, o ato de ingerir essas bebidas é incentivado em diversos espaços sociais, sendo passado até de geração em geração. Muitos indivíduos aprendem a consumir essas substâncias no ambiente familiar, como se isso fosse algo positivo. Entretanto, a família, enquanto mecanismo primário de socialização - termo desenvolvido pelo o sociológo Émile Durkaime - deveria ensinar valores para o convívio harmonioso do indivíduo na sociedade, e não o contrário disso.
Ademais, os danos causados por esse uso inconsequente são diversos. Na saúde, a lista é enorme: doenças hepáticas, câncer de mama, impotência sexual, depressão, tendência a desenvolver doenças mentais, entre outros. Quando se fala em problemas sociais, há os acidentes de trânsito, aumento na violência, pertubação da ordem pública, e outros, visto que as bebidas alcoólicas causam prejuízo cognitivo, por serem neurodepressoras do sistema nervoso central. Todos esses problemas elevam a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS), aumentando a precarização já existente, devido à falta de investimentos.
Portanto, é de suma importância que o Estado diminua o acesso da população às bebidas alcoólicas. Para isso, essa instituição política deve aumentar os impostos sobre essa substância, com o objetivo de dificultar e/ou reduzir o consumo irresponsável de álcool. Dessa forma, os indivíduos com menor poder aquisitivo, que é a maioria da população, terá que priorizar as necessidades reais em detrimento daquelas impostas pela sociedade.