O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 24/08/2021

Os autores românticos, no século XIX, foram responsáveis pela glamourização de substâncias nocivas na literatura. Fora dessa corrente artística, observa-se que tal questão ainda perdura na atual conjutura, principalmente no que diz respeito ao abuso de álcool na sociedade brasileira. Dessa forma, é importante analisar não só a influência do grupo de amigos, mas também o uso desses elementos como um escape.

Em primeiro lugar, é necessário postular a influência intragrupal como fomentadora do problema. Nesse sentido, no poema “Eu, etiqueta”, de Carlos Drummond de Andrade, o poeta afirma: “É duro andar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade”.Sob essa ótica, percebe-se que, principalmente, os jovens têm uma necessidade de se encaixarem em grupos sociais para se tornarem mais sociáveis e, com isso, são alienados e influenciados, inclusive, para experimentarem o álcool. Consequentemente, tem-se uma população, desde a juventude, mais próxima da dependência química.

Em segundo lugar, é pertinente analisar como os indivíduos entendem o álcool como uma fuga de problemas. Sob esse viés, Manuel Bandeira, em seu livro “Libertinagem”, expõe sua paixão por Pasárgada, um mundo perfeito e idealizado para escapar da realidade. Nessa perspectiva, a visão do poeta se materializa, tendo em vista a concepção de uma felicidade movida pelo alcoolismo, em que busca uma solução para seus dilemas e, quando não é encontrada, os dependentes frustram-se por não alcançarem tal ideia de êxito.

Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para minimizar tal questão. Assim, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com ONGs, invista em um plano que vise a elucidar aos dependentes algumas maneiras de como abandonar as drogas de forma eficiente, por meio da criação de centros de reabilitação gratuitos, com a ajuda de profissionais da área, a partir de rodas de conversação com indivíduos que não usam mais entorpecentes, a fim de que haja menos influência intragrupal e a diminuição do uso de drogas como um escape. Somente assim, o cenário visto no livro “Libertinagem” não se efetivará e o problema será atenuado no país.