O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 25/08/2021
Desde a antiguidade, estuda-se a relação do álcool com a sociedade, vinculado aos prazeres carnais e suas virtudes, representados, principalmente, por Deuses como Baco e Dionísio. Nessa perspectiva, o filósofo Epicuro salientou que, para atingir a plenitude racional, o ser humano necessitária abandonar esses valores. Apesar dos esforços do Epicurismo, o complexo arranjo entre a sociedade e o consumo abusivo de álcool ainda não foi solucionado no Brasil, e ocorre, diante das concepções contemporâneas, por causa da sensação de fuga da realidade proporcionada por essa droga psicotrópica e da estigmatização massificada do seu consumo, que já atinge diversas gerações.
Em primeira análise, é necessário entender os motivos que levam o brasileiro ao consumo abusivo de álcool. Diante de uma sociedade capitalista globalizada, fomentada pela prática “tempo é dinheiro”, o ser humano colaca-se diariamente numa luta incessante para consolidação do capital, caracterizada pelo estreito relacionamento social, longas jornadas de trabalho e desconexão com práticas para o bem-estar individual. Sendo assim, a Psicologia explica que nos momentos ínfimos nos quais o cidadão sente a liberdade das suas ações na busca exclusiva do prazer, este tende a exagerar por não saber lidar com àquela situação. O álcool, no papel de uma droga psicotrópica, catalisa a pseudossensação de fugacidade e invunerabilidade, visto como essencial para esses momentos de euforia, transformando a casualidade em um transtorno abusivo de seu consumo.
Em segunda análise, pode-se afirmar que não há tentativas eficientes para o controle dessa situação por parte das autoridades cabíveis. Desde a Revolução Indústrial, quando houve uma explosão de mudanças sociais, o ser humano exponenciou a produção e o consumo de álcool, principalmente por causa da fugacidade anterior e do lucrativo comércio das grandes empresas etílicas. Nessa perspectiva, a massificação do consumo abusivo estigmatizou-se durante gerações e exemplifica o fato social Durkheimiano, no qual as assimilações externas ao indivíduo o transforma em cidadão social. Assim, é necessária a prática da ética pelos agentes governamentais para uma mudança consciente desse cenário, formentado pelas grandes empresas ao visar o lucro.
Portanto, a fim de reduzir o consumo abusivo de álcool na sociedade brasileira, é necessário que o Ministério da Cidadania (MC) utilize os canais midiáticos, sobretudo as redes sociais, para promover campanhas conscientizadores sobre os efeitos do consumo excessivo dessa droga, transparecendo suas consequências. Outrossim, para quebrar o estigma social do consumo etílico, é necessário que o MC fiscalize e eduque as crianças nas escolas sobre o álcool e seus malefícios. Sob essa perspectiva, as crianças conscientizariam o futuro nacional, que tenderia a determinada proximidade ao Epicurismo.