O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 25/08/2021
Se no mapa não constar a utopia, nem olhemos para ele, porque nos está escondendo o principal". O escritor Oscar Wilde, com essa concepção, defende que crer em um mundo melhor, sem divergências e conflitos, consiste em algo fundamental para a existência humana. Destarte, acreditar em um Brasil sem, por exemplo, o abuso de álcool pode se caracterizar como um elemento norteador para a obtenção de uma sociedade mais harmônica. Nesse prisma, cabe analisar essa questão no país.
Inicialmente, observa-se que o Poder Público se mostra negligente ao permitir esse abuso. Isso porque há uma falha no processo de conscientização, uma vez que falta informar sobre os males do consumo excessivo de bebidas alcoólicas, o que pode gerar diversas doenças. Sendo assim, nota-se que o governo não tem assegurado o bem-estar de todos os cidadãos, revelando, portanto, a violação do contrato social teorizado pelo filósofo John Locke.
Além disso, pontua-se a exorbitância de álcool é um reflexo do déficit de engajamento coletivo. Como prova disso, verifica-se a inércia de parte da população em não lutar por assistência estatal, posto que falta oferecer auxílio psicológico aos indivíduos com dependência alcoólica, comprometendo, então, a saúde física e mental destes. Esse cenário pode ser esclarecido com base nos estudos sociológicos de Zygmunt Bauman, visto que, segundo eles, devido ao pessimismo, impulsionado pela Segunda Guerra Mundial, as pessoas passaram a negligenciar problemas comunitários.
Convém, portanto, ressaltar que o abuso de álcool deve ser superado. Logo, é necessário que o Estado promova a conscientização social, priorizando projetos educativos com especialistas da área da saúde, realizados na televisão aberta, com o objetivo de alertar a população sobre os efeitos negativos do consumo de álcool. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância de se adotar uma postura não resignada diante do alcoolismo, a fim de potencializar a mobilização coletiva em prol do acompanhamento psicológico, a partir do Sistema Único de Saúde, para as vítimas desta compulsão. Desse modo, assim como sugeriu Oscar Wilde, seria possível ter uma utopia para se nortear no “mapa” da vida.