O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 25/08/2021
No poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, do autor modernista Manuel Bandeira, o eu lírico trata da fuga da realidade, feitas por parcela da sociedade, em troca da “digestão” do sofrimento. Assim, embora seja uma obra da década de 1930, pode-se fazer uma alusão ao abuso do álcool na sociedade brasileira atual, em que tornou-se comum almejar a ida a Pasárgada por dois motivos: a banalização do uso de bebidas alcoólicas e o incentivo dessas práticas por meio da mídia.
Em primeira análise, afirma-se que a banalidade atribuida ao álcool, infelizmente, criou uma cultura de permissividade do uso dessa droga na sociedade brasileira, a qual é vista como uma forma de escapar da realidade. Consoante o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf, no livro “A Lei e a Ordem”, a anomia é a condição social na qual as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam sua validade. Nessa perspectiva, pode-se fazer uma analogia ao atual cenário do Brasil, em que a banalização do uso de bebidas alcoólicas -ingerida muitas vezes de forma abusiva- no país constitui-se como anomia. Esse fato é ultrajante e de extrema preocupação, haja vista que, além do álcool ser considerado pela OMS -Organização Mundial de Saúde- uma droga depressora que pode desencadear ou dilatar alterações no sistema nervoso, parcela significativa do corpo social nacional faz uso dessa bebida abusivamente, cultura errôneamente enraizada no país, o que afeta as as relações interpessoais desse grupo, à medida que essa ação provoca mudanças no humor.
Outrossim, é importante ressaltar o incentivo ao consumo de álcool feito pelos meios de comunicação como fator agravante para o abuso desta ação. Segundo o Mito da Caverna, do filósofo grego Platão, os indivíduos são aprisionados pelos sentidos, em que enxergam conforme a imagem ilusória criada pelas sobras dentro da caverna. De maneira análoga à alegoria filosófica, o estímulo ao uso demasiado de bebidas alcoólicas feita pela mídia forma uma realidade a qual os indivíduos apenas enxergam “as sombras”, ou seja, são estimulados, direta e indiretamente, a ingerirem álcool por meio de propagandas, filmes, livros e, principalmente, músicas. Isso é alarmante, visto que essa parcela da sociedade que é influênciada pelas redes de comunicação tende a abusar cada vez mais dessa droga para “entrar na caverna” e encontrar uma falsa sensação de felicidade.
Portanto, é evidente que medidas são necessárias para a mudança do cenário atual brasileiro. O Ministério da Educação -juntamente com o Ministério das Comunicações- deve evitar o uso abusivo do álcool pela sociedade brasileira, por meio de políticas públicas, as quais conscientizarão o corpo social nos principais meios de comunicação sobre os malefícios da ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, a fim de que a cultura da permissividade dessa droga e o incentivo ao consumo desta diminuam.