O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 25/08/2021
É de conhecimento público que a atriz Drew Barrymore, estrela hollywoodiana de filmes como ‘‘As Panteras’’ e ‘‘Como se fosse a primeira vez’’, teve uma infância conturbada, quando, ao frequentar festas da indústria, foi induzida ao consumo de bebidas alcóolicas, o que culminou em seu internamento numa clínica de reabilitação aos 14 anos de idade. De forma precisa, o passado de Barrymore representa como a sociedade tende a subestimar tanto o fomento cultural a esses comportamentos quanto os malefícios que o abuso do álcool pode trazer aos indivíduos. Diante disso, faz-se pertinente a reflexão sobre a demasia de tal substância na sociedade brasileira.
No que tange ao aspecto cultural do problema, nota-se que o consumo de bebidas etílicas é normalizado devido a sua habituação secular durante a história do Brasil. Isto posto, com o desenvolvimento do mercado açucareiro no litoral colonial do século XVI, a fermentação do caldo de cana-de-açúcar criou uma bebida barata e acessível, possibilitando a popularização da cachaça por todo o território. Dessa maneira, a produção da bebida nacional foi difundida e estimulada, com sua capacidade entorpecente sendo vinculada a momentos de lazer e apta a se introduzir na esfera afetiva dos cidadãos, em vista que, na época, não se tinham conhecimentos aprofundados sobre seus possíveis efeitos colaterais a longo prazo.
Cabe destacar, ainda, que o apreço do corpo social pelo álcool expõe a sua dificuldade em posicionar-se criticamente a respeito do mesmo, enquanto condena e criminaliza outros tipos de drogas. Assim como diversos narcóticos, tal substância pode causar tanto doenças cardiovasculares, hepáticas e neurológicas, como o etilismo, quanto danos à integridade física de terceiros pela perda do senso de prudência, equilíbrio e reflexo do embriagado. Não obstante, o consumo e comercialização das bebidas ainda é altamente estimulado e suas propagandas são legalmente exibidas em qualquer horário e meio midiático. Logo, além do insentivo inconsequente, percebe-se a moralização seletiva dos tóxicos, de maneira a distanciar os danos proporcionados pela aguardente dos danos proporcionados pelos demais.
Em virtude dos fatos mencionados, podemos afirmar que o uso impoderado de bebidas alcóolicas pode acarretar em inúmeros prejuízos não apenas para um cidadão, mas para todos ao seu redor, e, por isso, deve ser tolhido pelas diversas frentes da sociedade brasileira. Em partida inicial, cabe ao Congresso Nacional discutir um Projeto de Lei que limite a publicidade dos licores aos locais próprios de venda, ainda com advertências dos possíveis riscos de sua ingestão, afim da gradativa extinção do incentivo excessivo, primeiramente por parte da mídia, segundamente pelo próprio povo.