O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 31/08/2021

“10% de Red Bull, 10% de água de coco, 80% de wisky, to 100% muito louco”. A música do cantor brasileiro Wesley Safadão, representa as músicas da atualidade brasileira, a qual qualifica e incentiva o consumo de bebidas alcoólicas pelo público. Sob essa lógica, o abuso de álcool no país enquadra-se em parâmetros socioculturais, evidenciando a crise da realidade do mundo pós-moderno. Esse cenário nefasto ocorre em razão da tentativa de fuga da realidade, que contrasta com as consequências psicossociais dos efeitos dessa droga.

A princípio, o consumo alcoólico da população tem por trás das aparências e socialização entre os indivíduos, o forte cárater subjetivo de fuga da realidade, demonstração de uma crise existencial vivida no século XXI. Nessa perspectiva, o pensador Antônio Cândido afirma que, “O sonho é a fabulação da realidade para equilibrar o sono, assim como a arte existe para equilibrar a vida”. De maneira análoga, o álcool se enquadra no viés de fuga da realidade na tentativa de equilibrar a vida tendo como apoio as bebidas alcoólicas. Concomitante a isso, gerando impactos comportamentais e de saúde físico- mental dos indivíduos consumidores que afetam outrens além de si próprio. De modo que não há intervenção, devido os cidadãos manter o hábito da popularização e socialização por meio do álcool de maneira cotidiada. Fica evidente, portanto, que o hábito cultural coloca em segundo plano a problemática.

Ademais, observa-se que a sociedade ainda se mantém como expectadora diante da situação, além dos aspectos socioculturais evidenciados, a ausência de dignidade humana é um fator impulsionador do impasse do álcool no Brasil. Segundo o filósofo Michel Foucalt, “O homem é uma construção bio-psico-social”, os quais dignamente equilibrados favorece a harmonia. Dessa forma, o álcool age tolhendo o equilíbrio de todos os aspectos, pois seu uso abusivo é capaz de gerar danos biológicos, comportamentais e psicológicos, afetando não somente o indivíduo, mas todos ao seu redor.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para a solidificação de políticas humanas que visem a construção de um mundo melhor, Nesse viés, a Mídia como corpo docente e de grande alcance, para mitigar a problemática deve promover campanhas publicitárias em parceria com a Organização Mundial da Saúde que conscientize e incentive apenas o consumo moderado e responsável de bebidas alcoólicas, por meio de relatos, estatísticas, novelas e jornais que pautem sobre o assunto. A fim de mudar a realidade do abuso do álcool na sociedade brasileira, bem como desvincular a musicalidade incentivadora por meio de propagandas educativas e conscientizadoras. Assim, será possível alcançar um novo patamar para o impasse do consumo excessivo de álcool no Brasil.