O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 30/08/2021
Apesar da Constituição Federal Brasileira ter como um de seus objetivos fundamentais a promoção do bem de todos, na prática, pouco se observa a atuação governamental quanto ao abuso de álcool na sociedade do País. Nesse sentido, é possível perceber que a banalização do hábito de ingerir bebidas alcoólicas, associada à facilidade que a população possui de comprar tais produtos são grandes obstáculos para combater esse problema.
De início, é válido frisar que o hábito é o grande guia da vida humana, como bem asseverou o filósofo David Hume. Sob essa perspectiva, a normalização da ingestão de álcool como forma de celebração dos bons momentos ou de “refúgio” para superar as más situações só agravam e perpetuam a cultura de massa do uso excessivo de bebidas alcoólicas. Prova disso são os dados colhidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), nos quais demonstram que a média de consumo de álcool no Brasil supera a de mais de 140 países. Nesse ínterim, as músicas, os filmes e as demais mídias que propagam tal ideia só reforçam e incentivam a manutenção desse costume doentio que só cresce no Brasil.
Outrossim, recomendação feita pela OMS aos países do mundo inteiro para que restringissem o acesso da sociedade às bebidas alcoólicas, devido ao seu uso exagerado nos primeiros meses de 2020, só reflete no incentivo da indústria cultural para a consolidação desse costume. Tal conceito, formulado pela Escola de Frankfurt, afirma que a indústria do consumo tende a homogeneizar gostos e hábitos da população, podendo ser facilmente observada no caso do consumo de álcool. Desse modo, não obstante o incentivo, ainda que indireto, da sociedade para que se beba cada vez mais, a facilidade de se encontrar e comprar bebidas em qualquer estabelecimento físico no Brasil, ou em aplicativos virtuais, só facilita o uso exagerado dessa substância.
Infere-se, portanto, que medidas urgentes devem ser tomadas para o combate do uso excessivo de álcool pela sociedade brasileira. Assim, é importante que os Ministérios da Saúde e da Educação, em ação conjunta, promovam campanhas, objetivando a conscientização das pessoas para os males causados pelas bebidas alcoólicas. Tal ação deve ser realizada por meio de propagandas midiáticas e mutirões sociais em locais descentralizados, informando e educando por meio de debates, teatros e, além disso, de antendimentos gratuitos àqueles que desejam largar a dependência dessa droga. Ademais, é imprescindível que o poder legislativo criem leis mais rígidas para a restrição de vendas de bebidas, de modo a limitar a quantidade de alcool a ser comprado por pessoa, a fim de reduzir o consumo individual e coletivo. Apenas dessa forma se cumprirá com o objetivo da Magna Carta.