O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 27/08/2021

O desenho animado ‘‘Os Simpsons’’, retrata a vida de uma família a qual o pai, o Homer Simpson, consome álcool constantemente e costumar falar, num tom humorístico, que é a bebida causadora e, ao mesmo tempo, solucionadora dos seus problemas. Sob tal ótica, fora da ficção não é diferente entre a sociedade brasileira, pois reflete o problema do abuso dessa droga entre os indivíduos, de modo a normalizar a situação de caráter social e de saúde pública. Nesse contexto, faz-se pertinente analisar por que esse uso excessivo acontece por causa da cultura de permissividade, tanto quanto para lidar com as adversidades da vida individual.

De início, é válido ressaltar que o abuso de álcool tem relação direta com a cultura de flexibilidade da substância, pois a pessoa não identifica como maléfica. Isso ocorre porque, como os brasileiros consomem essa bebida desenfradamente desde a adolescência, em razão da família não achar problemática por ser uma droga lítica, abusam do conteúdo e promovem essa falsa sensação de segurança, pois é aceito sem questionamentos pela população ignorante. Nesse viés, a filósofa Hannah Arendt fortalece a ideia ao citar o conceito de ‘‘Banalidade do Mal’’, a qual aborda que o mal, de tão repetido entre a sociedade, torna-se banal e comum, de modo a aceita-lo como uma característica inerente ao corpo social. De maneira análoga, representa a utilização exagerada da bebida alcoólica devido a normalização dessa maldade entre o público consumidor o qual é negligente.

Simultaneamente, o consumo exagerado dessa droga também acontece devido a forma do brasileiro lidar com os momentos ruins da vida individual, pois é liberado o hormônio do prazer. Isso transcorre porque, como as pessoas não desenvolvem inteligência emocional desde a infância, em virtude das escolas não se importarem com esse tipo de ensinamento, quando algum problema difícil aparece, não sabem enfrenta-lo e buscam uma solução no álcool, de modo a abusar desse liquído para ‘’esquecer’’ as situações e ser ‘‘feliz’’. Nessa conjuntura, o psicanalista Sigmund Freud corrobora a tese ao mencionar que o homem vive em busca do prazer e a esquiva da dor, logo, o ser humano costuma evitar o sofrimento por meio das bebidas alcoólicas, tendo em vista a sensação imediata de felicidade.

Portanto, é notória a necessidade de medidas para atenuar o consumo exacerbado de álcool na sociedade brasileira. Para isso, cabe à família, como formadora de personalidades humanas, romper a normalização do abuso dessa substância, por meio de conversas informativas desde a infância, a fim de crescerem cidadãos conscientes do mal que o uso exagerado traz. Por sua vez, a escola deve promover aulas de inteligência emocial para as crianças, por meio de psicólogos especializados, com o intuito dos indivíduos não procurarem essa droga para lidar com problemas, evitando, assim, o abuso.