O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 26/08/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948, garante a todo cidadão o direito a liberdade de escolha e vida digna. Dessa forma, é dever do Estado garantir meios para que tais direitos civis sejam assegurados em prol do bem-estar social. Todavia, a livre decisão do indivíduo de utilizar álcool não deve impedir a segurança do outro e, o abuso de tal droga pode vir a interferir a vida em sociedade e tal fato ocorre devido à banalização da ingestão e à negligência em aplicar as leis.
A priori, a formação da sociedade brasileira é pautada no patriarcalismo e elitismo, os quais possuem como característica a valorização do uso de álcool por homens como sinônimo de virtude. Nessa lógica, segundo o filósofo Michel Foucalt, o homem é um ser “biopsicossocial”, o qual necessita que essas três esferas -física, mental e social- sejam estimuladas de forma harmônica para um desenvolvimento saudável do indivíduo. Dessa forma, o que se observa é que o abuso de álcool, principalmente nos mais jovens, é estimulado por propagandas, amigos e até mesmo pela família, os quais utilizam a gíria “dar pt”, ou seja, beber até perder totalmente os sentidos, como algo legal e vantajoso. Assim, os resquícios do período colonial imperam na sociedade e banalizam o mal que é abusar de tal substância alcóolica em prol do sentimento de pertencimento à sociedade.
Em segunda análise, o sistema de leis do Brasil por vezes é falho e não condena de forma justa quem abusa do àlcool e coloca a vida de outras pessoas em risco, seja no trânsito ou não. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo brasileiro Sérgio Buarque de Holandan obra “Raízes do Brasil”, o brasileiro é um ser movido pelo lado emotivo, chamando-o de “homem cordial”, o qual se deixa levar por pequenas corrupções em prol de ajudar o outro. Logo, o chamado “jeitinho brasileiro” é sempre utilizado quando o abuso de álcool está presente em alguma situação de conflito, afirmando que tal culpado não pode ser responsabilizado porque estava fora de si, o que tem como consequência a ausência das consequências dos atos e a negligência do Estado para reduzir tal problema, reafirmando o sociólogo. Em vista disso, para reduzir o abuso de álcool na sociedade brasileira, cabe ao Ministério da Educação, ligado as mídias sociais, promover nas instituições escolares projetos anuais, com o público jovem e adolescente, os quais abordem os perigos do abuso de álcool para a saúde e sociedade, com a explicação de antigos dependentes, visando a conscientização sobre as consequências a longo prazo. Somado a isso, o Estado deve realizar parcerias público-privadas, em que profissionais da segurança sejam capacitados para agir da forma mais correta e justa em situações de conflito por álcool e em troca as empresas receberão benefícios fiscais. Sendo assim, todos poderão gozar do que diz a DUDH.