O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 29/08/2021

No desenho " Os Simpsons", a personagem Homer encontra-se diversas vezes ingerindo a cerveja “Duff”. Ele tem uma relação de dependência com a bebida, visto que em alguns episódios Homer até se estressa caso não a tome. Há um fato real que assemelha-se ao desenho, a saber: o alcoolismo na sociedade brasileira. Um impasse que ataca, principalmente, os jovens. Tal absurdo está acorado no Estado ausente nas questões sociais e na influência midiática. Nesse sentido, é de grande relevância avaliar esses fatores, a fim de ceifá-los e garantir a diminuição da dependência alcoólica no Brasil.

Primeiramente, é imperioso ressaltar que o Poder Público falha na orientação dos jovens a respeito dos perigos da ingestão alcólica excessiva. Esse descuido acontece no ramo educacional, já que o currículo escolar brasileiro é estritamente conteudista e não inclui os ensinamentos sociais básicos, os quais promoveriam a saúde dos cidadãos, como a prevenção ao alcoolismo. Essa objeção é inaceitável, pois vai contra o que visa o Estatuto da Criança e do Adolescente, que tende à proteção da população infantojuvenil e consequentemente, a valorização do futuro benevolente deste país. Sendo assim percebe-se que a resignação estatal diante dessa conjuntura merece ser finalizada.

Outrossim, tem-se a mídia, a qual aproveita-se da desorientação dos jovens frente aos males do álcool para formar o seu amplo mercado consumidor. A influência midiática ocorre pelas propagandas, em que são mostradas as pessoas felizes e fisicamente atraentes, como se a bebida tivesse a fórmula do sucesso pessoal e profissional. Para obter o resultado de influência utilizando essas falácias, as corporações de bebidas usam a “Razão Instrumental”-teoria filosófica da Escola de Frankfurt- que afirma que os grupos econômicos dominantes utilizam da falta de criticidade social para obter lucros. Desse modo, é indubitável que a desestruturação crítica dos indivíduos é crucial para a manipulação midiática, sendo urgente, então, a destruição desse elo.

Portanto, com o objetivo de erradicar os problemas de alcoolismo na sociedade brasileira, é preciso que o Ministério da Educação promova campanhas escolares semestrais contra o uso abusivo de álcool pelos jovens. Isso poderá ser concretizado por meio de palestras com psicólogos e com ex-alcoólatras, com o fito de orientar os estudantes sobre os malefícios do álcool. Ademais, urge que o Ministério Público multe as empresas de produtos destilados e afins que utilizarem de propagandas enganosas para terem lucros. Concomitantemente, é fundamental o papel da sociedade, em parceria com a profissionais da saúde, para fomentar o pensamento crítico do consumo por intermédio de debates, palestras e diálogos em casa. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, o alcoolismo sairá da lista emergencial de saúde pública.