O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 27/08/2021

Na obra naturalista “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, é representado o comportamento de um aglomerado de pessoas de acordo com uma característica determinante: a influência do meio em que estão inseridos, que delimita atitudes e dita condutas. Fora da literatura e análogo ao Cortiço, o ambiente social tem forte contribuição na tomada de decisões dos cidadãos e pode facilitar práticas como, por exemplo, o consumo intenso de álcool, problema que circunda o Brasil hodierno. Dessa forma, é pertinente avaliar como o contexto social que o indivíduo se encontra pode influenciar nesse óbice, bem como o papel da família em seu enfrentamento.

Em primeira análise, é válido destacar que o contexto coletivo é um intensificador desse dilema social, pois tem o poder de moldar comportamentos e influenciar os cidadãos a consumirem álcool. Essa perspectiva pode ser evidenciada no pensamento de Vygotsky, grande psicólogo russo, ao afirmar que o meio influencia o homem, isto é, se o ambiente é circundado por alcóolatras e escasso de informações sobre esse viés, o homem dificilmente terá domínio sobre seu livre-arbítrio, uma vez que não conseguirá vencer as circunstâncias de onde vive e se manter longe dessa droga. Sendo assim, fica clara a importância de se haver meios que disseminem informações aos indivíduos, especialmente para aqueles que residem onde há grande concentração de dependentes, a fim de minimizar tal mal social.

Ademais, apesar do meio definir muitas das circunstâncias, a família desenvolve papel fundamental para efetivar a diminuição do abuso de álcool na sociedade brasileira, pois, seguindo preceitos da Sociologia, é o primeiro grupo social que todos os seres humanos têm contato. Com isso, se desde cedo as pessoas forem ensinadas, através de seus familiares, sobre os malefícios desse abuso do álcool e as consequências que podem ser acarretadas a longo prazo, como problemas de saúde e distúrbios cognitivos, elas crescerão com a consciência aguçada no que diz respeito a saber relacionar a droga lícita com lazer, diversão e sem prejuízos mutualistas. Portanto, pode-se taxar a família como principal agente intensificador da consciência, controle e resolução desse dilema brasileiro.

Em face do que foi abordado, faz-se necessário tornar o abuso de álcool, em sua totalidade, escasso no país. Logo, cabe ao Estado, como instância máxima da nação, através do Ministério da Saúde, a formulação de um Plano Contra o Abuso do Álcool (PCAA), que tenha a função de desenvolver anúncios publicitários com figuras influentes, como cantores e influenciadores, para disseminar as consequências que esse consumo exacerbado pode acarretar a curto e longo prazo, a fim de torná-las cada vez menos recorrentes no território brasileiro e desenvolver cidadãos mais saudáveis. Feito isso, o determinismo de “O Cortiço” não será mais tão marcante socialmente.