O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 27/08/2021
Na canção “Bloodstream”, interpretada por Ed Sheeran, são retratadas as mazelas sofridas pelo uso descomedido de substâncias entorpecentes. Fora do plano musical, é fato que essa realidade, relacionada ao abuso de bebidas alcoólicas, também está presente na sociedade brasileira e precisa ser combatida. Nesse sentido, a problemática supracitada ocorre devido à manipulação midiática, a qual propicia a relativização da ebriedade.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o excesso de propagandas relativas ao álcool ocasiona a adoção de padrões prejudiciais. A esse respeito, conforme o sociólogo Theodor Adorno, a Indústria Cultural promove a mercantilização de comportamentos por meio da divulgação publicitária em massa. Sob esse viés, verifica-se o papel do veículo comunicativo na influência populacional quanto à utilização indevida de drogas lícitas, uma vez que os anúncios apelativos persuadem os indivíduos a consumirem produtos que, mesmo com efeitos nocivos, os concedam benefícios ilusórios, como bem-estar e popularidade. Sendo assim, constata-se a necessidade de mitigar a manipulação midiática.
Por conseguinte, a influência dos meios de comunicação fomenta e trivializa o etilismo. Nesse contexto, segundo a filósofa Hannah Arendt, atos impensados e corriqueiros engendram a banalização de males. De modo paralelo, essa lógica confirma-se na relativização do abuso alcoólico, visto que a persuasão mercadológica acarreta o consumo exacerbado e, por consequência, a dependência, o que transforma a embriaguez em uma ação irrefletida e habitual. Sob essa ótica, a ingestão de bebidas alucinógenas torna-se naturalizada e provoca inúmeros perigos, tais como vícios, agressões, distúrbios mentais e acidentes fatais. Dessarte, fica evidente a premência de eliminar a normalização da imoderação em questão.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar o abuso de álcool no Brasil. Diante desse fito, urge que o Poder Legislativo elabore uma lei que suprima o caráter apelativo das propagandas, tanto em veículos analógicos quanto digitais, de drogas lícitas, mediante fiscalizações eficientes e rotineiras, destinadas às empresas de bebidas etílicas. Ademais, o Ministério da Saúde deve, por intermédio de verbas governamentais, realizar campanhas que evidenciem os efeitos negativos dos entorpecentes. Isso ocorrerá como a utilização de comerciais informativos, publicações nas redes sociais e eventos escolares, a fim de reduzir a banalização desse mal. Dessa forma, será possível evitar as angústias apresentadas na música “Bloodstream”.