O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 27/08/2021

No filme “Se Beber Não Case”, os personagens se metem em uma série de confusões após uma noite de embriaguez, retratando o abuso de álcool de forma cômica. No entanto, o uso exagerado de bebidas alcoólicas configura um problema, uma vez que que 5% das mortes mundiais são relacionados à bebida excessiva, segundo a Organização Mundial de Saúde. Com isso, é preciso debater sobre o descomedimento na utilização de álcool pela sociedade brasileira, especificamente sobre a influência midiática e a banalização pela sociedade.

Em primeira análise, é preciso pontuar que as mídias tem um grande potencial persuasivo e, por isso, são utilizadas para propagar o consumo de bebidas alcoólicas na população. Nessa perpectiva, as empresas de bebidas disseminam, por meio do uso de campanhas massivas, propagandas que associam o uso delas à sexualidade. Exemplo disso, é a campanha da cervejaria Itaipava, a qual utiliza de forma apelativa o corpo feminino como atrativo da atenção masculina, na tentativa de proporcciar maiores vendas. Nessa perspectiva, com a repetição de comerciais televisivos, acaba por entrar no imaginário da população a vontade de consumir tal produto. Logo, assemelha-se ao defendido pelos representantes da Escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, os quais acreditam que o sistema capitalista, por meio da indústria cultural, disseminada pelos meios de comunicação em massa, implanta a necessidade de consumo nas pessoas.

Ademais, o abuso de álcool na sociedade brasileira foi banalizado, uma vez que o seu uso é aceito socialmente. Nesse contexto, devido a cultura da aceitação popular, esse tipo de bebida foi inserida em diversos locais, tornando-se comum em comemorações, encontros e  eventos sociais. Com isso, o seu uso foi incoporado aos hábitos da população, uma vez que é de fácil acesso. Assim, pode-se associar a “Teoria do Habitus”, do filósofo Pierre Bourdieu, o qual afirma que a sociedade incorpora um determinado comportamento do meio, de modo a naturalizá-lo e reproduzí-lo. Dessa maneira, o abuso alcoólico é perpetuado na sociedade, uma vez que é banalizado e repassado para outras gerações

Portanto, debatido o abuso de álcool na sociedade brasileira, são necessárias medidas que revertam essa situação. Para isso, urge que o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, órgão responsável por impedir a publicidade enganosa e abusiva, defina novas regras para comercialização de campanhas que contenham teor alcoólico, por meio da proibição de comerciais que apelem para a sexualidade, a fim de diminuir a influência deles sobre o imaginário popular. Além disso, o Ministério da Saúde, deve vincular campanhas de conscientização, por meio de comerciais televisivos que mostrem os riscos do abuso de álcool, a fim de torná-lo menos banalizado.