O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 27/08/2021
A famosa marchinha de carnaval “Você pensa que cachaça é água, cachaça não é água não”, embora performada em um tom alegre, evidencia e perpetua a realidade de diversos brasileiros inseridos em uma cultura de abuso ao álcool. Dessa maneira, faz-se necessário analisar os alicerces que sustentam esse problema, a citar, a pobreza relacionada a fuga de realidade e a romantização exacerbada, sobretudo por jovens, de bebidas alcoólicas no país.
Em primeira análise, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta que mais de 13,5 milhões de pessoas se encontram em estado de extrema pobreza, e essa, por sua vez, mostra como a baixa condição financeira leva a população a recorrer ao álcool como “válvula de escape” . Dessa forma, para mascarar seu estado de desamparo social, o abuso dessa droga lícita, ou seja, permitida pela Lei, tem no seu consumidor a busca pela mudança de humor e amortecimento da realidade. Logo, esse comportamento fica claro na máxima “O homem vive em busca do prazer, e na esquiva da dor”, na qual é comum ao ser humano, na visão do pai da psicanálise, Freud, a necessidade de mecanismos de escapismo, por meio da distração, acima de tudo, se este se encontra marginalizado economicamente.
Em segundo plano, a bebida, para outros, chega através da romantização de um estilo de vida permissivo, introduzido ainda em idade jovem, embora seja crime segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente. Isso ocorre pois as mídias, como as redes sociais e televisão, assim como a cultura, tem um importante papel na formação social dos cidadãos, que são manipulados pela sua bolha de convivência em adentrar essa realidade, postura essa observada pelo contratualista Rousseau ao dizer que o homem nasce bom, porém a sociedade o corrompe. Nessa ótica, a propaganda exagerada dessa drogra, apontada pela Organização Mundial de Saúde como uma das causadoras de 8,1% dos problemas de saúde mundial, da espaco para maior ingestão da substância, vendida por meio de campanhas que personificam na bebida, a sociabilidade, o sexo e a liberdade.
Portanto, tendo em vista esses impasses, o Ministério do Desenvolvimento Público em parceria com o Ministério da Saúde deve promover palestras em praças públicas de comunidades carentes sobre os perigos do abuso do álcool como mecanismo de escape da realidade. Além disso, devem criar programas de terapia semanal a serem realizados em centros de saúde públicos dos municípios, buscando ajudar os abusadores a conquistarem sua validação pessoal e aprenderem mecanismos de otimizar a qualidade de vida sem necessidade de substâncias. Outrossim, o Ministério de Justiça e Segurança Pública, deve criar uma Lei que reduz a midiatização de bebidas alcoólicas, visando o controle do acesso visual por jovens e outros à romantização desse estilo de vida.