O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 27/08/2021

Durante o ano de 2008, foi aprovada, no Brasil, a Lei Seca, a qual busca punir indivíduos que, após a ingestão de álcool, fazem a direção de algum veículo de trânsito. Tal lei evita que abusos decorrentes desse uso levem a acidentes em estradas e rodovias. No entanto, esse consumo, inclusive exagerado, na sociedade brasileira, encontra-se em um estado de “glamourização” perigoso, e ainda são levadas de forma negligente e desprezível as consequências relacionadas a esse.

Inicialmente, é relevante citar que, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, dentro da sociedade contemporânea, ocorre uma “banalização do mal”, o qual passa a ser validado por questões culturais. Isso é possível de ser vizualizado dentro da estrutura brasileira no momento em que esta valida o consumo de álcool exacerbado ao mesmo tempo em que “glamouriza” este. Tal termo citado significa glorificar ou até mesmo tratar algo como um ato de prestígio social, e é assim que a ingestão dessa droga lícita é vizualizada, seja dentro de propagandas, músicas, filmes ou cenas de novelas. A partir disso, torna-se preocupante perceber que isso tornou-se mais que um uso casual, mas sim abusivo da droga e visto como um instrumento de inclusão.

Além disso, também torna-se necessário abordar a teoria do sociólogo Edgar Morin, o qual cita o conceito de “pensamento sistêmico”, de acordo com o qual devemos ter a necessidade de ir além de uma perspectiva linear, sendo importante se preocupar com as relações de causa e efeito. Com base nisso, podemos confirmar a relevância de pensar sempre nas consequências de um modo consciente. No entanto, o que ocorre, atualmente, no que tange ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas, é exatamente o contrário: pensa-se nelas com negligência. Desse modo, acontecimentos como o desenvolvimento de dependência alcoólica, o risco de acidentes decorrentes do desequilíbrio psicológico após o uso do álcool, entre outros, tornam-se irrelevantes para a sociedade brasileira.

Em síntese, faz-se urgente a necessidade uma mudança de pensamentos que glorificam o consumo excessivo do álcool e favorecem o tratamento deficitário dos malefícios decorrentes desse. Portanto, é essencial que os pais, junto com as escolas brasileiras, façam um combate à continuação dessa ingestão validada culturalmente por intermédio de aulas e rodas de conversas organizadas que abordem esse conteúdo e tratem desse tema de um modo sério e objetivo, mostrando as consequências do uso e dados científicos à presença de especialistas no assunto. Tais ações objetivam uma quebra no ciclo que permite a continuação de perigosas perspectivas sociais citadas e uma passagem para a construção de uma sociedade consciente das suas ações e respecitivos efeitos, permitindo a atuação do “pensamento sistêmico” elaborado por Edgar Morin.