O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 31/08/2021
“Eu vou morrer, mas eu não paro de beber”, essa música, do cantor Gusttavo Lima, é uma das diversas canções que incentivam e valorizam o abuso de álcool no Brasil. Esse aspecto, contudo, não se restringe aos meios midiáticos, já que o consumo dessas bebidas alcóolicas está alicerçado em uma construção cultural que as tornam símbolos de felicidade e prazer. Logo, é importante analisar como a formação sociocultural e a atuação da mídia levam a ingestão excessiva dessas drogas lícitas.
Primeiramente, é necessário destacar que o abuso de álcool na sociedade brasileira deve-se a uma construção social que banaliza e incentiva o consumo precoce dessas bebidas. Tal concepção baseia-se na teoria do “Habitus”, do sociólogo Bourdieu, o qual afirma que os indivíduos são formados de acordo com os costumes do ambiente em que vivem. A partir disso, percebe-se como essa ideia reflete a realidade nacional, em que os sujeitos são expostos, desde a infância, a um aspecto cultural marcado pela valorização das bebidas alcóolicas, as quais tornam-se símbolos de felicidade e pertencimento. Desse modo, mesmo podendo causar danos físicos e mentais à saúde, como agressividade e dependência química, essas drogas lícitas são aceitas e instigadas pela população, o que normaliza a ingestão em excesso e, assim, dificulta a criação de limites para superar esse mal no país.
Ademais, é válido ressaltar que o abuso de álcool na sociedade brasileira ocorre, também, por causa da atuação midiática que incentiva o seu uso. Tal perspectiva está associada à teoria da “Indústria cultural”, dos especialistas Adorno e Horkheimer, a qual afirma que os meios artísticos e culturais baseiam-se, atualmente, em uma lógica capitalista, em que a busca pelo lucro torna esses mecanismos sociais instrumentos de controle e massificação, em detrimento ao senso crítico dos cidadãos. Essa ideia fica clara ao notar as ações destacadas pelas mídias, como filmes, séries e músicas, semelhantes a do cantor Gusttavo Lima, as quais relacionam o consumo excessivo dessas bebidas alcóolicas a momentos de prazer e felicidade. Dessa forma, essas plataformas, apesar de possuirem um papel fundamental na formação dos indivíduos, procuram persuadi-los na compra dessas drogas lícitas, em vez de promover a conscientização social, como expor os perigos e prejuízos desses atos.
Logo, para que o abuso de álcool seja combatido, as escolas, principais instituições formadoras da sociedade, deve romper com esse “habitus”, mediante a criação de palestras, principalmente para os jovens, que mostrem os perigos dessa ação, além de exibir relatos de pessoas que sofreram com esse mal, a fim de construir uma cultura mais crítica. Ademais, a mídia precisa acabar com a idealização dessas drogas, por meio de propagandas educativas que mostrem os reais riscos dessas substâncias e façam conteúdos que não as banalizem, para que, assim, essa ideia seja superada no país.