O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 29/08/2021
O antropólogo Clifford Geertz afirma que a ação de uma pessoa cria uma teia de significados, influenciando as demais a repetir o ato. Isso pode sem dúvidas ser aplicado ao consumo de álcool na sociedade brasileira, que, em excesso, torna-se abuso da substância. Sobre isso, podem-se elencar causas, a citar: o não reconhecimento da bebida pela sociedade como droga, bem como a insuficiência na ação governamental.
Em primeira análise, é preciso observar o que a população em geral entende como droga e a influência disso no comportamento. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade é guiada por fatos sociais, que são gerais, coercitivos e coletivos. Pode-se incluir nessa classificação o que a sociedade rotula ou não como droga: é criada uma divisão entre o que é certo e o que é errado de se consumir. Assim, além de se repudiar o uso de substâncias como a maconha, estimula-se o de outras, notadamente o álcool, de maneira que o resultado é o abuso de sua ingestão.
Ademais, nota-se que as ações do poder público no tema são insuficientes. A Constituição Federal fixa como direito fundamental a assistência aos desamparados, em que se incluem pessoas viciadas em substâncias como álcool. Porém, basicamente todas as políticas públicas sobre alcoolismo são voltadas para tratar as consequências do problema, não as causas. A Lei Seca, por exemplo, é um apelo para que as pessoas não dirijam após beber, não para que não bebam. Dessa forma, é necessário que haja um desestímulo ao consumo desmedido de álcool.
Portanto, é necessário que haja uma medida mitigadora da problemática em tela. Desse modo, propõe-se que o Poder Legislativo federal, por meio de lei, proíba qualquer tipo de propaganda de produtos que contenham álcool, bem como seu consumo em programas de televisão. Devem ser postos, ainda, avisos nas embalagens alertando os efeitos da substância. Dessa maneira, serão cortados os estímulos e criados desestímulos para a ingestão de álcool, de maneira a modificar como a sociedade brasileira vê a bebida, evitando, assim, o seu abuso.