O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 29/08/2021

A série da Netflix " O Gambito da Rainha" conta a história de Elizabeth Harmon, uma jovem muito inteligente, jogadora de xadrez , que se envolveu com álcool na adolescência influenciada pelos amigos. Análoga a esse conto é o que acontece com a maioria dos brasileiros dependentes dessa substância . Diante disso, é válido discutir dois pontos importantes: a influência da mídia na divulgação de bebibas alcoólicas e a cultura  de aceitação do uso desse produto na sociedade brasileira.

Em primeira análise , segundo o sociólogo Mário Sergio Cordella, a mídia é um corpo docente, isto é, ela tem um impacto formativo importante  sobre os valores , hábitos, normas , regras e saberes do individuo. Desse modo, no  Brasil, é grande o quantitativo de comerciais dos mais variadados tipos de bebidas que contém ácool na sua composição, os quais,  são exibidos em todos os horários do dia persuadindo  o telespectador . Porém,  nenhuma advertência é feita com relação a idade de consumo ou aos efeitos maléficos à saúde, uma vez que um simples " beba com moderação" ao final de uma propaganda não tem efeito educativo e conscientizador para quem assiti.

Além disso, na  sociedade brasileira, ainda existe  a cultura do uso abusivo de álcool, principalmente, pelo sexo masculino com a falsa ideia de que a substância vai trazer alegria, sucesso e masculinidade.  Um   exemplo disso, são as propagandas de cerveja que estão sempre relacionadas a felicidade, a uma mulher bonita, a amigos ou grupos sociais.  Por essa ótica , a socióloga ,Hannat Arendt, fala sobre a banalidade do mal na modernidade, uma vez que, os atos viciosos vão se propagando sem nenhuma reflexão por parte dos indivíduos à respeito de suas atitudes  tornando-se meros reprodutos de costumes prejudiciais ao homem. Portanto, se essa cultura não deixar de existir , dificilmente , não haverá redução do consumo desse produto.

Assim, para que o uso abusivo de bebidas alcoólicas diminuam é necessário que o Ministério da Saúde juntamente com o CONAR ( Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária) reduzam o quantitativo de propagandas relacionadas ao álcool e exponham informações sobre os impactos negativos à saúde para informar e conscientizar  a população. Além disso, é preciso que o Ministério da Educação, em conjunto com profissionais da saúde de cada município, passe a orientar os brasileiros através de palestras e discussão do tema nas escolas , públicas e privadas, a partir do ensino médio, a cada semestre, mostrando os efeitos colaterais  dessas substâncias com a finalidade  de acabar com a cultura machista associada ao álcool na sociedade. Dessa forma, histórias como a de Elizabeth Harmon ficará só na ficção.