O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 30/08/2021

Cerveja e vinho foram as bebidas mais consimudas nos primeiros meses da pandemia da COVID-19 no Brasil, segundo pesquisa realizada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Esses dados revelam um sinal de alerta para o abuso de álcool entre os brasileiros, haja vista sua banalização devido à cultura permissiva das drogas lícitas, mas que resultam em efeitos adversos em diversos setores da sociedade, como saúde e economia. Nesse sentido, faz-se necessário discutir a irresponsável postura adotada pelo Estado, assim como analisar o papel da mídia na propagação dessa problemática.

Em primeiro lugar, convém destacar o pensamento desconexo adotado pelo governo que delibera o uso de bebidas alcoólicas, pois acredita está lucrando com tal política. Entretanto, são esquecidas as graves consequências geradas pelo seu excesso no organismo, como doenças hepáticas e alterações cardiovasculares, Esse fato é comprovado pela pesquisa do Correio Braziliense, a qual afirma o prejuizo quatro vezes maior de problemas decorrentes do álcool em relação ao faturamento da indústria de bebidas. Desse modo, fica comprovada que a preocupação governamental não é com sua gente e essa visão gananciosa só lhes trás sérios danos econômicos refletidos, principalmente, na superlotação e sucateamento da rede de saúde.

Ademais, com o caminho propício, empresas do ramo investem deliberamente no setor de propagandas e idealizam o álcool como um ‘‘facilitador de relações sociais’’. Nesse contexto, fica esclarecido que a bebida é comercializada como um símbolo de ‘‘masculinidade’’, ‘‘inclusão’’, ‘‘maturidade’’ e ‘‘popularidade’’: metas desejadas, sobretudo pela população jovem, movidas pelos prazeres efêmeros e imediatos da ‘‘modernidade líquida’’ exposta pelo filósofo Baumam. O resultado dessa glamourização é que os brasileiros começam a beber ainda mais cedo, sem nenhuma noção dos riscos, em busca de status e reconhecimento banais.

Portanto, cabe ao Estado repensar as políticas adotadas e a partir disso, o Ministério da Saúde, além de buscar maneiras eficientes de fiscalizar a venda de bebidas alcoólicas, deve promover debates sobre os riscos do cosumo excessivo, principalmente entre os mais jovens, por meio de campanhas e lives difundidas na rede televisiva e digital- as quais serão ministradas por psicólogos especializados na temática- com o objetivo de erradicar essa cultura de espetacularização do consumo abuso de álcool como passe para se obter fama e reconhecimento. Dessa maneira, essa glamourização será cessada e, assim, o número de pessoas com problemas gerados pelo seu excesso decairá, resultando no corte de gastos com os problemas decorrentes da embriaguez.