O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 30/08/2021

Segundo o pensador Bauman, a sociedade caminha para uma desordem mundial, causada, sobretudo, pela falta de controle do Estado. Dessa forma, a afirmação pode facilmente ser aplicada ao abuso de álcool na sociedade brasileira, pois é, um dos problemas mais graves de saúde pública no Brasil, desde a época colonial, os brasileiros consomem de forma exagerada as bebidas alcoólicas. Em razão disso, é importante discutir sobre a negligência estatal e o incentivo da mídia diante dessa temática.

Em primeiro lugar, a negligência do Estado, a escassez de projetos estatais que visem a assistência as pessoas abusivas em relação ao álcool, é uma problemática que precisa ser discutida. Nesse aspecto, devido a falta de divulgação e importância sobre o assunto, acarreta mais conflitos interpessoais, violências, em geral, tragédias. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo abusivo de bebidas alcoólicas gera, por ano, 1,8 milhão de mortes. Apesar da Constituição Federal de 1988 afirmar que todo cidadão tem direito à saúde, essa lei não se concretiza, pois não há investimentos estatais suficientes nessa área. Diante dos fatos é imprescindível uma ação do Estado para mudar sua realidade.

Em segundo lugar, aliado ao papel incentivador da mídia para que seu consumo seja cada vez mais elevado. Segundo a AMBEV foram investidos mais de R$ 45 milhões em propaganda de consumo inteligente nos últimos três anos, mas o Brasil aumentou o consumo em 45% nos últimos dez anos. Por conta disso, os profissionais da saúde fazem uma clara distinção entre aqueles que abusam do álcool e os dependentes químicos. O consumo excessivo leva à dependência, que, de acordo com a OMS, pode provocar cirrose, redução da libido, distúrbios de coordenação, depressão e pensamentos suicidas.

Portanto, a questão do abuso alcoólico deve ser melhor tratado no Brasil. Para tal, o Governo deve veicular campanhas de conscientização, na TV e na internet, que informem a população sobre os transtornos na saúde. Essas campanhas também podem, para facilitar o combate ao problema, ser divulgadas ao final de cada propaganda de bebida. No entanto, é fundamental o papel da sociedade, em parceria com a profissionais da saúde, para fomentar o pensamento crítico do consumo por intermédio de debates, palestras e diálogos em casa. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, o alcoolismo sairá da lista emergencial de saúde pública.