O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 30/08/2021
A Síndrome de Dependência Alcoólica, designada por Alcoolismo, é um dos problemas mais graves de saúde pública no Brasil. Desde a época colonial, os brasileiros consomem de forma exagerada as bebidas alcoólicas, em especial as fermentadas, como o cauim dos índios, o vinho dos lusos e a cachaça dos africanos. Atualmente o leque de opções se ampliou com a introdução de várias bebidas destiladas de alto teor alcoólico, agravando ainda mais a situação. Por conseguinte, a busca pelo prazer e a produção industrial em larga escala com o incetivo da mídia são fatores que proporcionam o abuso do álcool.
Para Platão, filósofo grego da Antiguidade, “O vinho estimula e aumenta o prazer, e a dor, o amor e a paixão? " Sim, e muito. " Essa relação entre a bebida alcoólica e o prazer fica clara quando, em algum momento do dia ou da semana, as pessoas buscam algum consolo aos desencantos da vida tornando a bebida uma grande válvula de escape. No entanto, o abuso no consumo acarreta conflitos interpessoais, violência doméstica, separação de casais, negligência infantil, que, em geral, culminam em tragédias, seguidas ou não de mortes.
Além disso, a produção industrial em larga escala levou a democratização das bebidas, aliado ao papel incentivador da mídia para que seu consumo seja cada vez mais elevado. Segundo a AMBEV foram investidos mais de R$ 45 milhões em propaganda de consumo inteligente nos últimos três anos, mas o Brasil aumentou o consumo em 45% nos últimos dez anos. Por conta disso, os profissionais da saúde fazem uma clara distinção entre aqueles que abusam do álcool e os dependentes químicos. O consumo excessivo leva à dependência, que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, pode provocar cirrose, redução da libido, distúrbios de coordenação, depressão e pensamentos suicidas.
Conclui-se, então, que a questão da dependência alcoólica deve ser melhor tratada no Brasil. Para tal, o Governo deve aumentar os impostos sobre a produção de bebidas para decrescer a produção em larga escala, além de veicular campanhas de conscientização, na TV e na internet, que informem a população sobre os transtornos na saúde. Essas campanhas também podem, para facilitar o combate ao problema, ser divulgadas ao final de cada propaganda de bebida. Concomitantemente, é fundamental o papel da sociedade, em parceria com a profissionais da saúde, para fomentar o pensamento crítico do consumo por intermédio de debates, palestras e diálogos em casa, acentuado ainda mais os problemas sobre o abuso do álcool. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, o alcoolismo sairá da lista emergencial de saúde pública.