O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 31/08/2021
“O homem vive em busca do prazer e na esquiva da dor.”, disse Freud no século XIX. Visto que, na realidade contemporânea o abuso do álcool tem se tornado cada vez mais frequente, principalmente como forma de obter um prazer momentâneo fugindo de situações de problema. Esse cenário é fruto tanto da falta de investimentos quanto de traumas devido à negligência infantil, o que torna fundamental analisar tais fatos a fim de que seja possível contornar essa realidade.
Diante desse cenário, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o problema. Na obra “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, ela diz que “quanto mais na sala você estiver, menor a possibilidade de ter acesso à droga.”, uma metáfora que indica que quanto mais em um lugar de prestígio você se encontrar, há menos chances de entrada no mundo das drogas, justamente por esses locais mais “prestigiados” haverem mais informações. Devido à baixa atuação do governo em investimentos educacionais, pessoas em situações mais desfavorecidas são afetadas diretamente pela desinformação em relação ao uso de bebibas alcóolicas. Desse modo, é necessária a reformulação dessa postura estatal urgentemente.
Além disso, é imperativo ressaltar os traumas causados na infância como impulsionador do problema. Uma pesquisa de equipe da Saúde Mental da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, diz que os alcoolistas sofreram mais traumas emocionais na infância que os não alcoolistas e que apresentam dificuldade de adaptação e interação com seu meio social. Isso mostra que determinadas experiências emocionais desagradáveis vivenciadas quando ainda criança, resultam, na maioria das vezes, em abuso ou até na dependência do álcool. Logo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, é necessário combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Tribunal de Contas da União, direcione capital ao Ministério da Educação, para que em parceria com a mídia e escolas, promovam campanhas e palestras sobre a importância da moderação quando diz respeito ao álcool, a fim de que, desde cedo, tenham consciência das consequências que o alcoolismo pode trazer. Além disso, é fundamental que o Ministério da Saúde em parceria com a mídia, consientizem a população, principalmente os pais, sobre os efeitos a longo prazo que traumas infantis trazem, por meio de comerciais e campanhas, com o objetivo de diminuir o abuso e dependência do álcool. Dessa forma, o homem não viverá mais se esquivando da dor, mas sim, enfrentando ela.